O reequilíbrio da economia da economia, afastando-se da sua excessiva dependência da procura interna, está a levar o seu caminho com o programa de ajustamento como pano de fundo
Comissão Europeia, previsões de Outono de 2011
Uma das características centrais do processo de ajustamento económico em curso passa por uma forte contracção do consumo. Em certa medida, os consumidores são as principais “baixas” nacionais na guerra contra uma crise que pegou numa economia desequilibrada e a arremessou ao chão de forma estrondosa. As últimas previsões (e diagnóstico) da Comissão Europeia são disso um espelho – vários indicadores explicam a maior queda do consumo privado ocorrida democracia.
Consumo privado cairá 5,9% em 2012, a maior queda (pelo menos) da democracia. Não surpreende se considerarmos que…
… os salários nominais cairão para primeira vez em 2012 (-2,3%), sendo que a queda real (-5%) é a maior da UE-27…
… ao mesmo tempo, o número dos que não têm emprego (13,6%) vai disparar para máximos históricos
Sem emprego e com cortes salariais, peso dos salários no PIB volta a cair e caminha* para o mínimo de 20 anos
* em 2012 o peso será de 65,9% e em 2013 (não está no gráfico) cai para 64,9% o valor mais baixo desde 1991 (remunerações por empregado/PIB por empregado)
… e o peso da poupança no PIB também volta a cair, depois de uma recuperação nos primeiros anos da crise
Sem poupança, não há investimento e daí resulta, também sem surpresa, uma das maiores quedas da procura interna em Portugal… o reequilíbrio da economia faz o seu percurso segundo a Comissão
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