Portugal só tem 7% de probabilidades de ir em frente no Mundial, mas ganha ao Gana

23/06/2014
Colocado por: Bruno Simões

A qualificação de Portugal parece impossível, mas atenção: os resultados mais prováveis nos dois últimos jogos do grupo G podem deixar a Selecção a apenas dois golos de se qualificar.

 

Portugal's Varela scores their second goal as Tim Howard of the U.S. reacts during their 2014 World Cup G soccer match at the Amazonia arena in Manaus

Varela faz o empate aos 95 minutos, para desespero do guarda-redes Tim Howard. Fonte: Anders Stapff/Reuters.

 

O golo do empate que Silvestre Varela marcou domingo já ao cair do pano frente aos Estados Unidos não serviu de muito – apenas adiou uma eliminação que as estatísticas dão como praticamente garantida. Esta é a visão pessimista do golo mais tardio da história de um Mundial. Se quisermos ser optimistas, temos de olhar para além das probabilidades de Portugal se qualificar – que oscilam entre 5,4% e 11,8% – e confiar nos resultados mais prováveis para os dois últimos jogos do grupo G. Foi isso que fomos fazer.

 

Neste momento, de acordo com três sites especializados em previsões desportivas, as possibilidades de Portugal se qualificar para a fase seguinte do Mundial do Brasil situam-se ao nível do milagre. Por um lado, porque a tarefa de vencer o Gana com uma margem folgada afigura-se hercúlea. Por outro, porque Portugal precisa que a Alemanha ganhe aos Estados Unidos (os americanos também podem ganhar, mas aí a obrigação de recuperar uma desvantagem de oito golos afigura-se bem mais irreal). Um empate em qualquer dos jogos põe a Selecção a caminho de Lisboa.

 

O New York Times dedicou um espaço da sua secção especializada em estatísticas – o The Upshot – à previsão das probabilidades de cada país se qualificar para a fase seguinte do Mundial. Se antes do jogo de ontem as coisas já não estavam famosas para Portugal, ficaram bem pior: neste momento, Portugal tem 7% de hipóteses de se qualificar para a fase seguinte, menos de metade das que tem o Gana (16%). A Alemanha está praticamente qualificada (99%) e os Estados Unidos parecem confortáveis com os seus 78%.

 

Mas ainda há pior. O site FiveThirtyEight, que usa o modelo de previsão Soccer Power Index da ESPN, atribui à equipa portuguesa 5,4% de probabilidades de passar aos oitavos-de-final. O cálculo é mais bondoso para com o Gana, a quem são atribuídas probabilidades de 19,1%. A Alemanha goleia com 99,7% e os Estados Unidos seguem perto com 75,8%. Antes de começarem os jogos, era Portugal que estava em segundo lugar. As probabilidades eram, nessa altura, as seguintes: Alemanha, 91,6%; Portugal, 40,3%; EUA, 39,4% e Gana, 28,6%. Grande tombo que demos, não é?

 

O World Soccer Talk avança com previsões extremamente amigas dos EUA. A Alemanha está com os dois pés na próxima fase – 99,91% de probabilidades, e os americanos têm 86% de chances de ir com os alemães. Sobram os “outsiders” Gana (8,47%) e Portugal, com 5,6%.

 

Numa perspectiva mais optimista, a Bloomberg atribui a Portugal 11,8% de hipóteses de passar à fase eliminatória do Mundial, praticamente a mesma probabilidade do Gana (12,1%).

 

Probabilidade de ganhar ao Gana é grande

 

Quanto às probabilidades ficamos conversados: estamos de fora da Copa. Mas a esperança é a última a morrer e as previsões que a Bloomberg faz dos resultados dos jogos da última jornada da fase de grupos permitem manter alguma fé. Neste momento, Alemanha e Estados Unidos têm quatro pontos e Portugal e o Gana têm um. Na última jornada defrontam-se precisamente as equipas empatadas com os mesmos pontos. O problema é que Portugal parte com uma enorme desvantagem: na diferença entre golos marcados e sofridos, tem quatro golos negativos. E, em caso de igualdade pontual, o critério de desempate é a diferença de golos.

 

A Alemanha tem um diferencial de quatro golos e os EUA têm um. O que significa que Portugal tem de ganhar ao Gana e de marcar golos suficientes que permitam anular essa desvantagem.

 

A boa notícia é que a previsão para os dois últimos jogos do grupo de Portugal permite acreditar que é possível anular os cinco golos de diferença face aos EUA. A previsão da agência aponta para 1-0 no Portugal-Gana e 2-0 no Alemanha-Estados Unidos. Nesse cenário, Portugal ficaria com os mesmos pontos que a equipa treinada por Jürgen Klinsmann e já só teria um golo negativo, tendo de anular outros dois para os americanos (que ainda teriam um positivo).

 

A Bloomberg atribui o favoritismo no jogo com os ganeses a Portugal, com uma probabilidade de ganhar de 55,3%. A vitória do Gana recebe 18,2% e o empate 26,6%. O resultado mais provável (13,6%) é 1-0 para Portugal. O 2-0 é o terceiro mais provável. A Alemanha também é a favorita para vencer os americanos (68,3%, contra uma probabilidade de 12,7% para uma vitória da equipa do “soccer”). O resultado mais provável é 2-0, e 3-0 vem logo a seguir.

 

Qualificação pode ser decidida por sorteio

 

Para passar, Portugal estaria obrigado a marcar pelo menos dois golos sem resposta e a esperar que a Alemanha ganhasse por 3-0 para poder igualar os EUA. Se os dois jogos acabassem assim, o empate luso com a equipa capitaneada por Clint Dempsey seria total (uma vez que no jogo entre si empataram 2-2) e a passagem aos oitavos teria de ser decidida através de um sorteio.

 

Mas se Portugal ganhar por 3-0 e a Alemanha vencer por 2-0, Portugal qualifica-se porque terá mais golos marcados que os americanos.

 

Um empate ou uma derrota frente ao Gana significam o fim do Mundial para os portugueses.

 

É preciso não esquecer que as previsões são isso mesmo: meras previsões. Ontem, a ESPN atribuía o favoritismo à Coreia do Sul – 45% para a vitória dos coreanos contra a Argélia, que recolhia 25% das probabilidades. Mas quem ganhou foram os argelinos, por 4-2, que assim até se tornaram na primeira selecção africana a marcar por quatro vezes no mesmo jogo num Mundial. Com um golo e uma assistência do sportinguista Islam Slimani.

Bruno Simões

Bruno Simões

Bruno Simões nasceu 1988 e está no Negócios desde Novembro de 2009. Escreve regularmente sobre política, poder local e questões de política internacional. Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, deu os primeiros passos na profissão no jornal académico "ComUM".
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