Numa primeira análise em Janeiro à resolução do Banif explicámos como exigiu aos cofres públicos mais de três mil milhões de euros. Entretanto, o secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, escreveu no Expresso e no Público artigos apresentando a sua perspectiva sobre as decisões do Governo, e números para quanto custou a resolução do Banif e quanto custaria a liquidação do banco. “Resolução ou liquidação. Eis a questão?“, titulou no Público. Haveria no entanto uma terceira via: a de impor perdas aos depositantes acima de 100 mil euros como está previsto nas novas regras europeias de resolução bancária que entraram em vigor em Janeiro. Quanto custaria?
Nesse cenário, os contribuintes não pagariam pela resolução da instituição, mas os efeitos para as economias da Madeira e dos Açores e para a confiança no sistema financeiro nacional seriam imprevisíveis – o governo considerou que não deveria arriscar, mas este é um debate central para avaliarmos a qualidade das novas regras de resolução.
No Público, o secretário de Estado apresenta os números da liquidação e da resolução:
Nas contas do Governo:
– A resolução custou aos cofres públicos 3.259 milhões de euros, com os privados a perderem 306 milhões de obrigacionistas subordinados. [Nas contas não está a emissão de dívida do Fundo de Resolução (cerca 750 milhões de euros) que será paga a prazo pelos bancos (ou pelas vendas dos activos problemáticos transferidos para o fundo de resolução)]
– A liquidação custaria aos cofres públicos 4.633 milhões de euros, e 474 milhões de euros aos privados.
Haveria, no entanto, uma terceira via: a de colocar os obrigacionistas sénior e os depositantes com depósitos acima de 100 mil euros a suportarem a operação, o que está previsto nas novas regras de resolução bancária.
Nesse caso, no cenário de resolução, poderiam ser usados os 168 milhões de euros de dívida sénior e os 2.800 milhões de euros de depósitos antes de entrar dinheiros dos contribuintes. O Estado veria assim a sua contribuições baixar de 3.259 milhões para apenas 291 milhões de euros.
O problema desta solução, defende o Governo, seriam os impactos nas economias regionais da Madeira e dos Açores (os depósitos estariam concentrados em empresários, PME e emigrantes), e efeitos negativos na reputação do sistema financeiro português e na confiança nele depositada. O governo decidiu não arriscar. Deveria tê-lo feito?
Rui Peres Jorge
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Quando nos levaram para a Europa diziam que era a nossa salvação——————supostamente eram os intelectuais que falavam——-mas foram esses mesmos que deixaram cair o nosso belo País na miséria—tudo está falido–e agora srs intelectuais ?
quem roubou o dinheiro do Banif que pague
O artigo não diz quais seriam os depositantes afectadados pelo “bail-in” apenas refere genericamente “empresarios, PMEs e depositantes” – ou seja não se sabe. No entanto aquando da decisão de resolução foi tornado public que varios oreganismos publicos regionais tinham depositos avultados no banco – ora a confirmar-se tal trata-se igualmente de “dinheiro dos contribuintes”.
De qualquer forma a ideia de um “bail-in” seria em meu entender uma catastrofe e traduzir-se-ia num movimento generalizado de desconfiança no sistema financeiro – ja de si bastante debilitado – com o risco de reforço da fuga de depositos.
Deviam ser os depositantes.
À pergunta formulada respondo que deviam ser os que roubaram, enganaram, e os responsáveis do banco ,serão esses aqueles que devem pagar |vão buscar o dinheiro onde o esconderam e às suas fortunas pessoais e para onde o fizeram desaparecer, offshores, testas de ferro, familiares , e por aí fora.
INVESTI 16.000 EUROS AÇÕES NO BANIF E FIQUEI SEM NADA POR CULPA DO PSD E PS
esconderão durante anos os problemas que havia com o banif .fiquei na miseria
Nem os contribuintes, nem os depositantes contribuíram para a falência do Banco mas estes mereciam ter em Portugal uma justiça mais digna.
Deveriam ser pagos pelos inescrupulosos, para não dizer DESAVERGONHADOS que escondem o dinheiro nos paraísos fiscais para fugirem aos impostos que tanta falta faz ao país.
Penso que o governo agiu bem, pois o impacto no sistema bancário, caso se tivesse optado por imputar perdas aos depositantes seria trágico para a confiança, já abalada no sistema bancário. Todas as opções têm custos, mas o valor da confiança, se destruído, levará décadas a ser refeito.
Devia ser pago pela TVI