Claudia Futsal

Até quando FIFA?

5 Julho, 2018 0

O futsal tem vindo a ganhar o seu espaço, contudo ainda há instituições que teimam em tratá-lo como um parente pobre.

 

A UEFA  apostado cada vez mais no futsal. Gradualmente, mas de forma consistente. Ainda esta quinta-feira (5 de julho) foi mais um dia histórico para a modalidade, com a realização do sorteio da fase de apuramento para o primeiro Campeonato da Europa de futsal feminino. Um passo de gigante para  crescimento da modalidade, para a igualdade de género, para o direito que as meninas têm de poder sonhar participar num Europeu sem terem de abandonar o futsal e começar a jogar futebol. Há meninas que gostam mais de futsal, outras mais de futebol, todas têm direito a jogar.

 

Ao contrário da UEFA, a FIFA parece ter-se esquecido do futsal. Ainda recentemente, numa entrevista que fiz ao Ricardinho, ele falou da situação caricata de já se saber onde será o próximo Mundial de futebol (2022 no Qatar) e ainda não se saber onde se realiza o próximo Mundial de futsal, que é daqui a dois anos, sabe-se lá onde.

Esta situação figura numa grande falta de respeito pelas federações que demonstraram vontade em organizar o torneio, pelos selecionadores que pretendem começar a planear a preparação, por toda a família do futsal. Para além de uma falta de respeito, demonstra também uma falta de organização.

 

A FIFA não é mãe de um filho só, tem muitos filhos e deveria pelo menos tentar tratar todos da mesma forma. Não deve haver modalidades de primeira e outras de segunda. Se a FIFA quer apenas futebol e não quer tutelar o futsal, há que levar esse assunto a uma reunião e decidir se é ou não para continuar. Para ter uma atitude tão negligente…

 

Não é a FIFA que tem feito o futsal crescer. É certo que um Mundial é um Mundial, mas há outros organismos em patamares mais baixos, como a própria UEFA e as federações nacionais, que têm feito muito mais.

 

Isto já é uma vergonha. Até quando FIFA?

 

 

Opinião – Quando começará o futsal a ser levado a sério?

2 Dezembro, 2017 0

Desde 2003 que acompanho de perto o futsal nacional e é com muita tristeza que vejo que ainda está longe de ser levado a sério. Não basta haver pessoas apaixonadas que trabalham diretamente no futsal, que vão ver futsal ou que escrevem sobre futsal. É preciso que os participantes, ‘grandes’ ou ‘pequenos’, sejam tratados com respeito e dignidade.

Decisões tardias a nível disciplinar ou nomeação de duplas de arbitragem para um jogo que tem como interveniente um clube com o qual tiveram problemas graves recentemente, são alguns dos erros que revelam algum amadorismo ou então alguma distração por parte de quem não leva a sério a modalidade. Não se protegem os clubes, não se protegem os árbitros.

A 14 de outubro o jogo entre Burinhosa e Pinheirense foi interrompido aos 30 minutos depois de os gondomarenses terem sofrido três expulsões (regulamentos não permitem que jogo prossiga se uma equipa tiver menos de 3 jogadores em campo. Os burinhosenses estavam a vencer por 2-0.

Cerca de 1 mês e meio depois, a FPF notificou os clubes de que seria considerado como resultado final o 2-0 para o Burinhosa, o que me parece justo, e informou ainda o Pinheirense de que sofreria uma subtração de 3 pontos, decisão passível de recurso.

Qual o problema? A decisão foi conhecida a dias de se disputar a última jornada da 1ª volta da fase regular da Liga, ou seja, pouco antes de serem conhecidos os 8 participantes na Taça da Liga. A equipa de Gondomar qualificou-se mas… não sabe se vai participar. No sentido inverso, o Rio Ave está à espera de uma decisão definitiva. Neste momento os gondomarenses estão na Taça da Liga, mas podem ser desqualificados, dando o lugar ao Rio Ave.

A questão que coloco é: dada a habitual lentidão das decisões disciplinares, havendo um tempo para recurso e estando quase em época de festas, quando será conhecida a decisão final? Será que vamos conhecer os participantes na Taça da Liga… antes da data da Taça da Liga (11 a 14 de janeiro)?

A cereja no topo do bolo foi a nomeação do Conselho de Arbitragem para o jogo Futsal Azeméis-Pinheirense: nada menos do que a dupla que esteve no polémico Burinhosa-Pinheirense. Há uma situação ainda a ser resolvida e não se protege os protagonistas? Será que os árbitros se sentiram confortáveis?

Já não percebo nada…

Opinião – O lado pior das pessoas

19 Dezembro, 2016 0

Não sei se é por estarmos próximos do Natal, de repente ficamos mais sensíveis ao que se passa à nossa volta. Confesso que hoje não me apetecia escrever sobre futsal ou futebol, depois de ver tudo o que está a acontecer no nosso Mundo, nomeadamente a tragédia humanitária em Aleppo
No entanto, eis que o ser humano me surpreende pela negativa, e dá-me outras razões para opinar sobre aquilo que ocupa o meu dia-a-dia: o desporto no meu Portugal.

Na tarde deste sábado a lesão grave de um jogador fez sobressair o lado melhor e o pior das pessoas. Estou a falar do lance que envolveu Bruno Graça e Mamadu Turé, no Benfica-Sporting da 11ª jornada do nacional de juniores, que se realizou no Pavilhão da Luz. Curiosamente, e apesar das imagens fortes, não foi a lesão que mais me impressionou.

O momento, de dor de um jovem travado com alguma agressividade, foi arrepiante, mas depressa se percebeu que o adversário não teve qualquer intenção, não só pela forma como tentou ajudar o colega ou por ter chamado assistência, mas também por ter pouco depois saído para o banco quase em lágrimas. Apesar de já serem rapazes crescidos, o escalão Sub-20, ou júnior, ainda é de formação. Ainda estão a crescer enquanto pessoas e atletas, apesar de tudo o que lhes é exigido por representarem determinadas instituições. E ainda sabem não misturar o clube com a amizade e o reseito pelo adversário.

As imagens que vi na televisão foram chocantes, mas os comentários que se seguiram nas redes sociais foram igualmente perturbadoras. Apesar de os comentários e opiniões na Internet terem a importância que se quiser dar, o que me incomoda é saber que há pessoas a pensar coisas tão aberrantes como que foi um ato premeditado ou capazes de partir para o insulto. Como é que se pode chamar assassino a um jovem por causa de um lance mas duro? E partir para insultos racistas? A sério???

Pior do que não se saber o que é o fairplay, é não se separar aquilo que a pessoa faz (ser jogador de X ou Y) do que é (um ser humano).

OPINIÃO – Porquê fazer de conta que está tudo bem?

29 Setembro, 2016 0

A Seleção Nacional de futsal foi afastada da final do Campeonato do Mundo num jogo em que se evidenciaram algumas fragilidades da formação das quinas. Defendemos mal, sofremos golos infantis, não tivemos fio de jogo e… falhámos golos de forma inacreditável. As individualidades não se destacaram  e o valor do adversário também não ajudou.

Nós, sim, nós. Porque nos é pedido para sermos 1 de 11 milhões no momento de apoiar e passar a madrugada a sofrer em frente à televisão, também temos o direito de falar sobre o que está mal. Tapar o sol com a peneira não ajuda em nada o crescimento da modalidade. Nada.

Estamos orgulhosos por ter chegado a uma meia-final onde já tinhamos estado? Claro que sim!
É importante para o futsal português estar entre os quatro melhores do Planeta? Sem dúvida!
Mas se não aceitarmos que algo correu mal, não se tenta corrigir-se os erros e no futuro estes voltarão a repetir-se.

Não vou pelo caminho mais fácil, que seria culpar o selecionador Jorge Braz, que no banco não pode fazer aquilo que 5 jogadores não fazem em campo. O problema é muito mais profundo e a culpa também é da estrutura e dos clubes, nomeadamente pela defesa cada vez menor do jogador português e da formação.

Li hoje um artigo escrito por um entendido na modalidade, o treinador Luís Manta, na qual aborda o que correu mal. Concordo praticamente com tudo, por isso partilho aqui a sua reflexão, que vale a pena ler: http://emproldofutsal.blogspot.pt/2016/09/o-mundial-seleccao-o-sporting-e-o.html?spref=fb

Agora, esta Seleção tem de levantar a cabeça, esquecer o desaire e focar-se no objetivo possível, a conquista da medalha de bronze, sábado frente ao Irão. Eu acredito, mas os jogadores também têm de acreditar e não acusar a pressão.

 

OPINIÃO – Uma questão de timing

2 Maio, 2016 0

Estava eu a gozar a minha (penso que) merecida folga quando fui surpreendida por uma decisão do Conselho de Disciplina da FPF em punir o Benfica com pena de derrota por uma alegada irregularidade ocorrida em… outubro. Entende aquele organismo que a BTV fez uma transmissão irregular do jogo frente o Belenenses. A decisão, tomada na véspera do último jogo da fase regular da Liga, teve efeitos na classificação e mais do que penalizar os encarnados, matou o sonho de um clube que em campo teria garantido um lugar no playoff.

Até quinta-feira, estava por definir o 8.º lugar, com Belenenses e Leões de Porto Salvo separados por 2 pontos. Com esta decisão, os azuis do Restelo garantiram a presença nos quartos-de-final do playoff, fase em que irão encontrar o Sporting. Certo é que apesar do valor do Belenenses, esta decisão tardia do CD prejudicou a equipa que em campo alcançou o playoff e que nada tem a ver com este processo. Recorde-se que  no sábado o Belenenses perdeu com o Quinta dos Lombos e o Leões de Porto Salvo venceu o CS São João.

Mais do que criticados pelas decisões tomadas, os conselheiros deste organismo têm sido criticados pelas posições tardias ou com um timing que deixa muito a desejar. Basta recordar o tempo que demoraram as decisões relativas ao Benfica-Sporting, da primeira volta da Liga NOS… Aqui fizeram duas grandes vítimas, Belenenses e Leões de Porto Salvo. E que consequências sofrem? Zero!

Agora o Benfica recorreu ao Conselho de Justiça e daqui a menos de 2 semanas começa o playoff. Agora pergunto, se não houver uma decisão rápida, se Sporting e Belenenses jogarem o duelo em agenda e houver uma decisão contrária a do CD, o que acontece?

 

 

A culpa é (sempre) do árbitro

25 Abril, 2016 0

Num momento em que muito se fala dos ataques de que os árbitros são algo por parte de alguns agentes desportivos, nomeadamente dirigentes e treinadores, no futebol, um péssimo exemplo é dado pelas entidades competentes em outras modalidades. No futsal, o ‘caso’ do jogo entre Boavista e CS São João, interrompido devido à alegada falta de segurança, culminou numa decisão que teve tanto de insólita quanto hilariante.

A partida foi interrompida em outubro, entretanto o Conselho de Disciplina decide punir os dois clubes com pena de derrota e subtração de 4 pontos. Entretanto, uma nova decisão dá razão ao CS São João, até que, em abril, meio ano depois, o Conselho de Justiça decide ilibar também os axadrezados, mandar repetir o jogo e… abrir um processo à equipa de arbitragem.
Pronto, parece que afinal o culpado é o de sempre, o árbitro. Uma decisão tão óbvia que nem se entende como demora meio ano a ser tomada.

Apesar de em muitos casos se falar que o futsal é o parente pobre do futebol, não quero acreditar que aqui se trate de uma falta de respeito pela modalidade. Neste caso há, isso sim, uma clara falta de respeito pelo trabalho da equipa de arbitragem ou uma tentativa de resolver à pressa uma situação que já devia estar solucionada há muito, muito tempo.

Não percebo como se demora meio ano a chegar a esta conclusão. Já no desporto Rei, tem sido muitas vezes colocada em causa o tempo que se demora a tomar uma decisão, veja-se por exemplo o tempo que demorou a haver uma decisão relativamente ao ‘caso Slimani’.

Mais grave ainda, é que neste período houve três decisões diferentes. Será que alguém vai tentar averiguar o que aconteceu? Serão apuradas responsabilidades? Ou vai ficar tudo assim como se nada se tivesse passado de errado?

Os milhões que valorizam Ricardinho

7 Abril, 2016 0

O futsal foi notícia esta quinta-feira pela “proposta das arábias” que o Nacional Zagreb fizeram por Ricardinho. Os croatas fizeram uma das maiores propostas de sempre na modalidade, 3 milhões de euros, 2 para o Mágico, divididos por 4 anos, e 1 para o Inter Movistar.

Mais relevante do que a proposta em si, são os números, pouco ou nada usuais numa modalidade que ten revelado grandes valores mas que tarda em ser valorizado. A Ricardinho fica a dever-se não só os momentos inesquecíveis que proporciona dentro das quatro linhas, mas também o inflacionar da modalidade. Apesar de ainda estar longe dos valores que por exemplo se pagam no futebol, começa a dar-se mais valor aos futsalistas.

Sim, tal como os jogadores de futebol, os de futsal ajudam os clubes a ter receitas, ajudam as televisões a ter audiências, a vender jornais, camisolas, etc. Por isso, esta oferta é também simbólica, é a abertuda dos bolsos dos clubes para outras modalidades que não o futebol. E isso, também se deve a ele, Ricardo Braga.

Ricardinho - EPA

Fotografia: EPA

OPINIÃO – O trauma de enfrentar os melhores

7 Fevereiro, 2016 0

Eis que chega aquele momento do Campeonato da Europa em que um grande número de adeptos pensa que já tudo está perdido e que se calhar já nem vale a pena entrar em campo. A Seleção Nacional perdeu com a Sérvia num jogo em que não esteve no seu melhor, acrescentando a erros defensivos (que não se esperam de uma equipa do seu gabarito) a uma finalização desafinadíssima. Segue-se a Espanha.

Seja em futsal, futebol ou qualquer outra modalidade, é nos momentos de defrontar os grandes que vem ao de cima o nosso síndrome de pequenez e “coitadinhos”. É certo que nunca vencemos a Espanha em jogos oficiais, mas será que é impossível tal acontecer? Será que já se pode escrever o destino de uma seleção só por causa do nome do adversário? Penso que não, mas há muita coisa em jogo, não apenas o futsal jogado…

Infelizmente habituei-me, ao longo destes 13 anos a acompanhar a Seleção, a ver a equipa a cair sempre frente aos mesmos adversários e pela mesma razão: falta de mentalidade. É aqui que está a chave para o duelo Ibérico de amanhã. Ricardinho e companhia não podem entrar em campo a pensar que o adversário é fortíssimo e intransponível, têm, isso sim, de entrar com vontade de mostrar que conseguem ser iguais ou superiores a La Roja; que merecem vestir a camisola das quinas.

Agora há coisas que não se treinam. A mentalidade de campeão ou se tem ou não. O treinador pode ser o melhor do Mundo, que se os jogadores não acreditarem, nada sai como o previsto; a formação pode ter o melhor jogador do Planeta, que se os outros não remarem para o mesmo lado e com o mesmo querer não se atingem os objetivos.

Se acredito que a Seleção Nacional tem valor para bater a Espanha? Acredito. Quanto ao resto, não faço apostas, é esperar para ver. Mas sempre com otimismo.

Os riscos de Jorge Braz

17 Janeiro, 2016 0

A Seleção Nacional começa esta segunda-feira a preparar a participação em mais um Campeonato da Europa (de 2 a 13 de fevereiro, na Sérvia). O selecionador Jorge Braz voltou a não ter uma tarefa fácil na realização da convocatória final, mas este ano teve um desafio extra: colmatar uma lacuna certa nos dois jogos da fase de grupos.

A expulsão de Cardinal na fase de apuramento para esta prova, em março, vai afastar o pivô dos dois primeiros jogos, com a Eslovénia e Sérvia. Assim, e com menos uma opção como jogador de campo, o técnico nacional teve de abdicar de um dos seus princípios: levar sempre três guarda-redes.
Assim, este ano só Bebé e Vítor Hugo são opções para a baliza, um risco calculado pelo treinador que em caso de lesão poderá sempre chamar um outro elemento para esta posição, mas não em caso de expulsão. Acaba por ser uma medida perigosa, mas que teve de ser tomada pelo treinador, que não pode abdicar do melhor pivô português em atividade para uma segunda fase na qual se acredita que a formação das quinas estará.

De resto, a lista conta com menos experiência – relativamente ao Europeu de 2014 faltam os experientes João Benedito, Gonçalo Alves e Pedro Costa – mas alguma irreverência. Destaque obviamente para Anilton, que apesar de não ser presença habitual na Seleção merece a chamada por aquilo que tem feito ao serviço do Fundão. Das caras novas, mas menos surpresa, estão o fixo Fábio Cecílio e o homem que marcou o golo que valeu a presença de Portugal na Sérvia, Tiago Brito.

Houve riscos nesta lista, claro que sim, mas por vezes não há grande margem de manobra. Concorde-se ou não com as escolhas de Jorge Braz, certo é que a partir de segunda-feira esta será a nossa Seleção e é nestes 14 jogadores que estão depositas as esperanças de uma Nação. Agora, todos somos Portugal.