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F1 2015 à distância (3 – conspirações)

24 Setembro, 2015 1413 visualizações

A Fórmula 1 regressa este fim de semana a Suzuka para um GP que não deixará de ser marcado pela recordação do grave acidente de 2014, que viria a determinar, em julho último, a morte do piloto francês de 25 anos, Jules Bianchi. Mas a forma “reservada e muito própria” como a equipa Manor [ex-Marussia] vai lidar com a memória recente também ajudará a recentrar as atenções e essas estão, sem surpresa, apontadas às dúvidas levantadas pela ‘débacle’ da Mercedes em Singapura.

Mais do que a vitória do Ferrari de Sebastian Vettel (a 3.ª da época) e a surpreendente ausência de um Mercedes no pódio, o que ficou da corrida noturna de Marina Bay foram as inesperadas dificuldades dos ‘flechas de prata’. Lewis Hamilton desistiu, Nico Rosberg não foi além do 4.º posto e ambos andaram todo o fim de semana em busca do ritmo e da ‘performance’ que os têm distinguido do pelotão durante a temporada.

Toto Wolff, diretor da equipa Mercedes, não foi capaz de identificar objetivamente as razões para o falhanço e as teorias alheias também pouco ou nada ajudaram. De hipotética teoria da conspiração (poderia a equipa, não sabendo, ter rodado com pneus diferentes dos outros?) à suposta inadaptação às novas regras quanto à medição de pressão e temperatura dos pneus antes da partida, muitas foram as sugestões avançadas. Sem respostas claras. É neste contexto que entra em cena a pista de Suzuka. Um dos mais rápidos do calendário (média de 221 km/h) e com algumas das 18 curvas negociadas a alta velocidade, o circuito japonês é o ideal para o regresso da supremacia Mercedes. Isto em tese. Mas até aos primeiros treinos livres e, pelo menos à qualificação, fica a dúvida: pode a equipa germânica ter perdido a mão e a… potência?

A bem do interesse competitivo, dava jeito que Ferrari, Williams e até a Red Bull voltassem a colocar em causa o expressivo domínio da Mercedes. No momento em que o proprietário das equipas da empresa das latinhas de bebida energética eleva o tom da ameaça de abandono, o ‘crescimento’ do motor Renault, completado pelo melhor desempenho dos Ferrari, serviria para apimentar um campeonato que continua a parecer destinado a engrossar o currículo de Lewis Hamilton e da Mercedes. Mas algumas das dúvidas já referidas – pneus e inexplicável (?)  menor desempenho da renovada versão do PU106B Hybrid – podem não ser mais do que o reflexo de uma ronda negativa em Singapura. Onde está um circuito pouco ou nada ‘user friendly’ para Hamilton e Rosberg. Afinal, como já o tinham sido as pistas de Sepang, na Malásia, e de Hungaroring, na Hungria. Os outros palcos das vitórias da Ferrari.

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