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F1 2015 à distância (2 – O papão veste prata)

9 Setembro, 2015 1379 visualizações

Terminada a ronda europeia e quando faltam 7 corridas para fechar a época de 2015 não haverá grandes dúvidas sobre o desfecho do Mundial de F1. Lewis Hamilton prepara-se para festejar o 3.º título da carreira – dificilmente vai desbaratar 53 pontos de vantagem – e a Mercedes está muito perto de tornar-se bicampeã de construtores. A juntar a este domínio há ainda a forma como ele é exercido e que já levou Chris Horner, da Red Bull, a usar o termo “assustador”.

O responsável pela equipa que deu a Sebastian Vettel a hipótese de somar quatro campeonatos consecutivos referia-se aos indícios deixados pelos ‘flechas de prata’ durante os treinos livres da última sexta-feira, em que ambos os carros usaram motores com os mais recentes desenvolvimentos. “Na sexta-feira foi um pouco assustador. É verdade que depois tiveram aquele problema com Nico Rosberg [foi obrigado a usar o motor antigo, já com 6 GP no currículo], mas estão claramente numa classe à parte”, admitiu Horner.

As preocupações do chefe da Red Bull são compreensíveis, mas esta supremacia já vinha da época passada e não nasceu agora, com os ‘upgrades’ estreados em Monza. É certo que as circunstâncias de corrida nunca são idênticas e que os circuitos nunca são iguais, mas as diferenças estabelecidas entre o vencedor Mercedes e o primeiro carro de outra equipa são quase sempre abissais. Em 12 provas disputadas, a Mercedes venceu 10, conquistou todas as ‘poles’ e várias vezes deixou os adversários a mais de meio minuto – uma eternidade – no momento da bandeira xadrez. A juntar a este cenário há ainda as dobragens, que em algumas corridas subiram à dezena de pilotos. Alguns deles mais do que uma vez. E o que falta de 2015 não deve ser muito diferente.

A Ferrari já ganhou duas corridas em 2015 e é cliente habitual do pódio, provando que fez o trabalho de casa relativamente a esta exigente deriva eco/tecnológica iniciada em 2014. Ainda agora, em Monza, os ‘upgrades’ estreados na unidade de potência permitiram ritmos interessantes a Vettel e deram decisiva ajuda a Raikkonen, que saiu de último e terminou na 5.ª posição. Mas a verdade é que a única rival objectiva da Mercedes está ainda muito longe do ideal. No último fim-de-semana, por exemplo, Vettel cruzou a linha de chegada 25 segundos depois de Hamilton. Que ainda se deu ao luxo de andar a fundo e ganhar tempo nas últimas 6 voltas. Só a persistência pode vencer estes papões vestidos de prata. Algo pouco menos do que impossível para uma Red Bull engolida pela ineficácia da Renault.

Adenda que nada tem a ver com Fórmula 1O post anterior tinha uma referência a Leopold von Sacher-Masoch, o senhor austríaco falecido há 120 anos que esteve na origem do termo “masoquismo” depois de escrever um romance onde uma das personagens, masculina, só atingia o clímax sexual depois de sovado e agredido pela amante. Entre a clientela que leu o post surgiu um tal “SelfBiasResistor” que entendeu fazer um comentário que eu decidi publicar. Para lá da acusação de desonestidade intelectual (coisa pouca) e de me tratar por PRS (coisa que só quem me conhece pode fazer), autorizava-me o tal “SelfBiasResistor” a “continuar a maldizer”. Ainda bem que há clientes deste blog com poder para autorizar-me a escrever. Já a parte em que o tal “SelfBiasResistor” pergunta se fui “violado em pequeno” por um  seu “consócio” merece esclarecimento. Não tenho ideia nem memória de tal acontecimento ter acontecido. Mas se tivesse acontecido, isso faria do tal “SelfBiasResistor” alguém de más companhias e de piores associados, capazes de praticar actos de máxima perversão e puníveis por lei. Já o masoquismo é pouco mais do que uma mania. Dolorosa, dizem.  

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