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A escolha da foto não foi, obviamente, aleatória mas deve dizer-se desde que já o acolitismo militante não é apenas apanágio de uma grande organização como é o FC Porto. Como já vou a caminho dos ..." /> Os novos apparatchik - Bola na Área - Record

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Os novos apparatchik

25 Setembro, 2015 819 visualizações

A escolha da foto não foi, obviamente, aleatória mas deve dizer-se desde que já o acolitismo militante não é apenas apanágio de uma grande organização como é o FC Porto.

Como já vou a caminho dos 40 anos destas vidas, dou de barato que o leitor me concederá algum crédito para falar do assunto.

Sou do tempo em que numa época normal um jornalista desportivo via 3 treinos por semana, fazia duas ou três entrevistas a jogadores e falava frequentemente com os dirigentes dos clubes. Nas Antas, que foi o estádio que mais frequentei em trabalho, os jogadores passavam sempre pelos jornalistas a caminho dos seus carros e Pinto da Costa gostava de fazer conversa com a malta. Aliás, foi numa conversa desse tipo que António Oliveira um dia falou demais…

Os tempos mudaram e o acesso dos jornalistas aos protagonistas resume-se às conferências de imprensa. Já ninguém conhece ninguém e os grandes clubes canalizam as suas informações para os órgãos de comunicação que entretanto criaram, da net à televisão.

Hoje pode dizer-se que os jornalistas que estão no terreno estão quase tão distantes da realidade que relatam como aqueles que andavam no terreno e que entretanto se acolitaram nos clubes, em várias funções, estão do jornalismo.

Vivemos o tempo do apparatchik. Ou seja, daqueles que são mais papistas que o papa e vestiram a pele de quem lhes paga. Nada a opor. É um métier perfeitamente legítimo mas que deve ser identificado.

Estamos a caminhar para o dia em que haverá mais ex-jornalistas nos clubes que jornalistas nas redações (que também vão escasseando).

Este movimento podia ter proporcionado outro tipo de sensibilidade em relação ao que podemos designar como comunicação. Mas não. A presença de ex-jornalistas nos clubes só serviu para tornar mais difícil a vida a quem quer fazer jornalismo, sob o lema de que quem não é por nós, é porque é contra nós.

Esta visão maniqueísta, típica dos cafés e dos adeptos, é uma mancha que continua a alastrar, até que um dia será a normalidade.

O excecional, aliás, hoje já é um produto fora de prazo.