Lado B

Benfica e o mercado

23 Janeiro, 2018 0

O pânico parece ter-se apoderado de alguns adeptos do Benfica após os maus resultados da pré-época. É óbvio que não devem ser totalmente desvalorizados, porque começar mal e acabar bem não acontece todos os anos. Mas a energia de quem manda não deve ser canalizada apenas para a contratação de reforços. Há algo que não está a funcionar no futebol do Benfica e a culpa não será apenas de Pedro Pereira ou da dupla de centrais. Vieira parece, de facto, ter dado um tiro ao lado no lateral-direito e a questão da baliza está a ser tratada com uma leveza que intriga, mas parte da solução terá de chegar de Vitória. Apesar das muitas saídas o Benfica continua a ter um plantel recheado. Têm de jogar um bocadinho mais.

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Questão de perspetiva

3 Dezembro, 2017 0

Os incêndios voltaram e de forma cruel. É difícil dar grande importância ao desporto quando temos amigos obrigados a abandonar a casa, que nos ligam a chorar, sem saber se mais tarde vão ter algo além da roupa que levam no corpo. Percebo agora melhor o triste comportamento dos clubes e as suas guerras de alecrim e manjerona, quando há partidos políticos que usam os números de mortos numa das maiores tragédias de que há memória no país para fazer chicana política. Assusta-me, confesso, que se possa descer tão baixo. E se estou habituado a que todos os dias adeptos vilipendiem Bruno de Carvalho, Pinto da Costa ou Luís Filipe Vieira, conforme o clube que defendem, assumo que me assusta muito mais que gente que devia ter mais do que dois dedos de testa use argumentos destes em política. Ficámos surpreendidos quando Trump foi eleito nos Estados Unidos e pensámos quão tontos eram os locais em escolhê-lo. Mas são vários os sinais por cá de que uma catástrofe semelhante nos pode calhar em sorte. Teremos o que merecermos. A maioria de nós, pelo menos.

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A liga que se joga fora dos relvados

11 Agosto, 2017 0

É ainda hoje célebre uma frase de Luís Filipe Vieira em que o presidente do Benfica dizia que era mais importante ter pessoas na liga do que contratar jogadores. As declarações eram proferidas no tempo em que o FC Porto controlava o futebol português e o líder encarnado tinha muita razão. Não se podem ganhar campeonatos sem jogadores, e bons, mas ter uma máquina forte, que não falhe nos momentos chave da época, na antecipação de acontecimentos, também é importante. Vital mesmo. O Benfica soube substituir o FC Porto neste particular e é hoje, de longe, o clube mais poderoso do território. Mérito de Vieira e seus pares, pois perceberam que há muitas outras coisas necessárias para ganhar além de golos. É por isso que os dragões lamentam a queda da famosa estrutura e que o Sporting procura recuperar alianças perdidas ao longo de anos e anos a navegar à bolina.

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Milagres e tantas outras coisas

26 Julho, 2017 0

José Mourinho chega a mais uma final europeia. A 4.ª da carreira. E no que se rotula como uma má temporada do Manchester United – e, de facto, na Premier tem sido medíocre – o técnico português arrisca-se a ganhar em Estocolmo o 3.º título da época: Supertaça, Taça da Liga e a ver vamos se a Liga Europa. Mas isto nada tem a ver com milagres. É talento e trabalho. Como CR7.

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Coates e Gelson são trunfos de leão

7 Abril, 2017 0

A resolução dos dossiês Coates e Gelson é uma excelente notícia para os sportinguistas. Após uma época em que as coisas raramente correram bem, enfrentar problemas com dois dos jogadores mais importantes e influentes na equipa de Jesus era tudo o que os adeptos dispensavam. Assinaram ambos até 2022 e chegam ao Dragão de cabeça limpa em relação ao futuro no clube.

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A noite em que Talisca gelou a Luz

23 Setembro, 2016 0

TEXTO PUBLICADO EM RECORD PREMIUM A NA VERSÃO IMPRESSA A 14 DE SETEMBRO DE 2016

Tudo parecia conjugar-se para uma estreia vitoriosa na Champions quando Celis fez a falta escusada. Poucos terão sido os adeptos que não se lembraram do golo apontado por Talisca ao Bayern Munique. Infelizmente para as contas da Luz – e as portuguesas na UEFA – o brasileiro repetiu a gracinha. Um golo soberbo, o único remate que Ederson não foi capaz de travar.
Os festejos que se seguiram magoaram, compreensivelmente, antigos companheiros no relvado e adeptos nas bancadas e em casa. Demasiado cedo para tanta festa de um jogador que está emprestado, ainda que por dois anos. A explicação Talisca deu-a mais tarde. Vieira e Gomes da Silva os destinatários.

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Alerta porque é possível fazer mais

7 Janeiro, 2016 1

Luís Filipe Vieira foi ao Seixal falar com o plantel do Benfica. O momento desportivo está longe de ser brilhante e o presidente não quer ver repetida a pálida exibição na Madeira. A equipa ficou muitos furos abaixo do que lhe é exigido, mesmo em ano de transição. Rui Vitória tem sido o réu em todas as conversas que rodeiam o clube mas frente ao União há mais do que pouco talento do treinador. Os jogadores também não fizeram tudo o que estava ao seu alcance para bater um União em dificuldades.

 

O toque a reunir de Vieira faz sentido. O líder benfiquista tem a noção de que este é um ano difícil e que a transição de Jorge Jesus para o novo treinador dificilmente seria um mar de rosas, mas tanto Rui Vitória como os jogadores são capazes de dar mais. Essa é a oportunidade que lhes é dada. E se a manutenção na Champions agrada do ponto de vista financeiro, a derrota na Supertaça e a eliminação da Taça de Portugal deixaram dois objetivos por terra. A Europa não apaga tudo. O percurso na liga será escrutinado.

 

A estrutura do Benfica, a tal que Vieira achou que seria capaz de resistir à saída de Jesus, está também à prova nesta luta. Apoiar o treinador, ser capaz de identificar os seus pontos fracos e tentar supri-los, eis algo que o presidente espera ver feito pelos homens de confiança. A péssima exibição na Madeira deixou marcas. Não porque a águia não ganhou. Muito mais por tudo o que não fez. Daí o alerta vermelho no Seixal.

 

Vieira cometeu um erro ao menosprezar Bruno de Carvalho. Foi assim que viu JJ acabar em Alvalade. A liderança leonina deixa marcas entre os adeptos. Vilarinho identificou ontem focos de divisão no clube. É tudo isto que o presidente encarnado tem de combater com punho de ferro nos dias que correm. E em vésperas de eleições, é bom que o acompanhem. Ou perdem o lugar.

Texto publicado em Record Premium e na versão impressa de Record a 19-12-2015

A importância de se chamar Vitória

22 Dezembro, 2015 0

A nota artística pode não ter sido a mais elevada. A perda do controle do jogo quando vencia por 3-0 um sinal de que ainda nem tudo vai bem. Mas não será isso ver só aspetos negativos? Do que é que o Benfica precisa? Ganhar. Aproximar-se de Sporting e FC Porto. E a perseguição tem-na mantido com brilhantismo. Braga e Setúbal foram quase passeios. Seis pontos. O resto é…

As vitórias trazem confiança. E as do Benfica ajudam a esbater a desconfiança dos adeptos em relação ao treinador. Ainda há dificuldade em engolir as três derrotas com os leões e o 3.º lugar na liga que se pretende seja de tricampeonato, mas há cada vez mais quem perceba que pode estar na forja um trabalho de qualidade. Resta a Vitória conseguir prová-lo com triunfos consecutivos internamente.

Por muito que a Champions agrade à SAD é na liga portuguesa que o Benfica afirma a sua grandeza interna e afasta o FC Porto do domínio de décadas. Jesus percebeu-o na Luz. Vitória já o sabe bem. Braga e Setúbal foram, também por isso, importantíssimos.

Numa época em que se fala muito de transição, Rui Vitória tem de saber aguentar as ondas de choque da sucessão a um treinador marcante. Mas o seu dedo vai-se vendo. O melhor ataque da liga é um cartão de visita interessante. Se resistir sem claudicar a perseguição pode ainda trazer frutos. O Benfica precisa de astúcia e perseverança. Na presidência sabe-se que tem. No banco é hora de provar. Ganhar é tudo.

Em Alvalade Jesus faz mais um jogo na prova que lhe interessa. Daí o aviso à equipa. O Sporting segue na frente mas ainda não ganhou nada. Que ninguém se esqueça. JJ está lá para lembrá-los…

Lopetegui tem hoje o primeiro dia do resto da sua vida. Após Londres, só pode ganhar na Madeira. Tudo o resto será perigoso. O dragão pode ruir.

Texto publicado em Record Premium e na versão impressa de Record a 13-12-2015

Benfica obrigado a mudar de estratégia

4 Dezembro, 2015 1

O Benfica mudou de estratégia de comunicação após a derrota em Alvalade. O terceiro desaire às mãos de Jesus foi mais do que a estrutura podia aguentar. Como se viu pela invasão do Seixal ou mesmo a espera à equipa. Eram só meia dúzia de elementos ruidosos mas fizeram ouvir o descontentamento do povo. Normal nas derrotas. Mas preocupa.

Pode ser perigosa a via seguida. Escolher Slimani como jogador a castigar pode voltar-se contra os encarnados. Também eles protagonizaram meia dúzia de lances que não devem deixar os dirigentes orgulhosos. Nomeadamente Eliseu, estranhamente nervoso e envolvido em lances com João Pereira, João Mário e Gelson. Houve, de facto, uma agressão de Slimani a Samaris. Mas houve muito mais do que isso. Uma mão pesada da Federação pode afastar mais gente dos relvados. E à derrota pode juntar-se mais uma guerra com efeitos colaterais. E o Benfica disso não precisa. Mas ficar como estava não era opção.

Rui Vitória não devia ter falado sozinho após o dérbi. Talvez fosse melhor que nem o tivesse feito. Mas se a ideia era culpar a arbitragem pela eliminação, era necessário mais peso mediático. Tinha protegido o treinador ainda à procura do melhor registo comunicacional. Ainda que agitando fantasmas, o que o Benfica tem de fazer é olhar para dentro e perceber o que está a falhar. Não há analista que tenha visto os encarnados serem superiores em nenhum dos jogos com o Sporting. Ou com o FC Porto. Essa é a causa real de todos os males.

Vieira, a sua experiência e capacidade de ver mais à frente são o maior trunfo na Luz. Vai ser necessária coragem para tomar as medidas necessárias. E não pode demorar muito.

TEXTO PUBLICADO EM RECORD PREMIUM E VERSÃO IMPRESSA A 24 DE NOVEMBRO DE 2015