Bola na Área

Obrigado Meireles!

15 Outubro, 2014 0

Num mundo cada vez mais formatado (embora não pareça), Raul Meireles continua a ser um fator de resistência.

Não estou a falar da sua excentricidade mas da sua coragem para ser excêntrico.

Pode ser um exagero mas não deixa nunca de ser uma pedrada no charco, um pontapé no lodo, um grito no deserto, uma andorinha no inverno…

Por isso, neste momento em que uma nação quase inteira se ajoelha perante o génio incontestado e porventura ofendido de CR90+4, a minha palavra de agradecimento vai para este moço que vi jogar no Boavista e no FC Porto, o filho do massagista dos axadrezados.

Meireles é o português dos descobrimentos. Mas não o português que ficou em Sagres ou na corte de Lisboa. O português que se alimentou meses de biscoito e logo que pôs o pé na terra no novo mundo passou a ser um índio como os outros. Um homem como os outros. O que é coisa muito difícil de ser nos tempos que correm.

Obrigado, Raul. Quanto mais reles te considerarem mais gosto de ti.~

E não, não és o único.

Entretanto, se tiverem paciência para me ler num outro tipo de registo, é aqui.

Raul Meireles: “Quero uma barba igual à do Pinto da Costa”

11 Setembro, 2013 0

Esta noite sonhei que tinha falado com Raul Meireles…

  – Obrigado por este bocadinho, Raul. Esta é pergunta que se impunha: toda a gente esperava mais de ti tendo em conta o facto de teres jogado no Estádio Gillete…

– Eugénio, até percebo, mas não posso. Afeta-me as tatuagens.

– Também te comparam ao António Variações…

– É uma honra. Nem consigo dominar este estado de ansiedade. Mas esse Variações era aquele da flauta?

– Não, esse é o Rão Kyao. O Variações era o barbeiro.

– Porra!

– Pois. Raul, como foi jogar sem o Cristiano Ronaldo?

– Foi chato, sentimos muita a falta de “Linic” no balneário.

– Qual o apodo que preferes quando se fala no Bruno Alves: Bruto Alves, Bruce Alves ou Burro Alves?

– A malta trata-o por Bruninho. É um tipo porreiro pois com ele deixam-nos sempre entrar nas discotecas.

– Incomoda-te o facto de termos na seleção quatro jogadores das Caxinas e da Póvoa de Varzim?

– Não, sempre tive uma grande admiração pelo Paulinho Santos.

– E o Neymar, é mesmo craque?

– Não sei se é craque ou outra coisa qualquer mas joga muito. Era gajo para ganhar o Tour.

– Tinhas lugar na seleção do Brasil?

– Acho que sim, não vejo ali ninguém com um look como o meu. O David Luiz? Desculpa mas jamais jogaria com uma vassoura na cabeça.

– E com uma esfregona?

– Isso já faço.

– Olha, Raul, conta-me um pouco da tua vida em Istambul.

– Gosto da cidade. Tem castanhas assadas todo o ano e é, tal como eu, é uma cidade completamente bizantina.

– Não preferias jogar num campeonato a sério?

– Sim, tenho saudades do tempo em que jogava no Aves e era treinado pelo professor Neca. Mas nunca lhe perdoei não me ter levado para as Maldivas.

– De todas as tuas tatuagens, qual a tua preferida?

– É uma que tenho nas costas e que pede justiça para o Boavista.

– Vês no mundo um jogador parecido contigo?

– Não é fácil mas outro dia vi muitos gajos parecidos comigo na festa do Avante só que tinham boinas.

– Qual é o teu pior pesadelo?

– Fecharem a feira de Espinho.

– O que leva jogadores como tu, que ganham milhões, a vestirem-se como gunas?

– Isso é um insulto. Gasto muito dinheiro em roupa interior.

– Quando deixares de ser futebolistas, vais fazer o quê?

– O mesmo.

– Ah?

– Cenas.

– Vais deixar crescer quanto mais essa barba?

– Até ao tamanho Pinto da Costa.

– Mas o presidente do FC Porto não tem barba…

– Mas tem o irmão.

– Não temes um dia encontrar algo de estranho nessa barba?

– Já encontrei um percing mas não sei de quem é. Ah, e metade de um Big Mac.

– Pronto, Raul, obrigado, queres deixar alguma mensagem aos leitores deste blogue, entre os quais o Rui Santos?

– Para os leitores, obrigado pelos likes na minha página no Facebook MaisRelesnãohá. Para o Rui Santos, deixa crescer a barba, faz uma crista e vais ver que nem precisas de comprar esses fatos.