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Nuno Aguiar

Sobre Nuno Aguiar

Nuno Aguiar, nasceu em 1987 e licenciou-se em jornalismo pela Universidade Nova. Começou a fazer jornalismo em 2009 no jornal i e em 2011 foi contratado pelo Dinheiro Vivo onde trabalhou até integrar a equipa do Negócios em Setembro de 2012. Em 2015 publicou o livro "Os Números da Nossa Vida". Escreve regularmente sobre temas macroeconómicos.

Acções de empresas militares disparam com ataque a Paris

24/11/2015
Colocado por: Nuno Aguiar

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Valorização em Bolsa das empresas de equipamento militar, depois dos ataques terroristas.

Os ataques terroristas em Paris provocaram uma onda de indignação em todo o mundo e motivaram François Hollande a declarar guerra ao auto-proclamado Estado Islâmico. No entanto, estes não estão a ser dias terríveis para todas as organizações. Para os maiores grupos de armamento em todo o mundo, os últimos dias foram de fortes ganhos na Bolsa.

 

Este exercício foi feito logo no dia a seguir ao atentado pelo site The Intercept, mas com apenas seis empresas e analisando um período ainda curto de tempo. Passado mais de uma semana, o Massa Monetária olha agora para 11 gigantes do armamento internacional e para o que ganharam nos últimos dias nos mercados financeiros.

 

Não é difícil perceber o racional por trás destas valorizações. Uma escalada dos conflitos internacionais como aquele que se adivinha significa um engordar do orçamento de Defesa de vários países, assim como mais encomendas de armamento e equipamento bélico. Como escrevia segunda-feira o Negócios, os ataques terroristas tendem a não ter grande impacto na economia, mas provocam um crescimento dos gastos militares.

 

Todas as empresas referidas em baixo estão a valorizar mais de 3% no espaço de sete dias, muitas ultrapassam os 6% e algumas chegam aos dois dígitos de ganhos. O dia do ataque está assinalado em cada gráfico para melhor se perceber a tendência que se observa desde esse dia.

 

 

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Fonte: Bloomberg; Gráficos: Rosa Castelo.

 

Reacção dos economistas: Investimento faz travar o PIB

13/11/2015
Colocado por: Nuno Aguiar

O INE surpreendeu os analistas ao revelar uma estagnação da economia no terceiro trimestre deste ano face ao mesmo trimestre do ano anterior. Em termos homólogos, observou-se um crescimento de 1,4%, que também ficou abaixo do objectivo de crescimento para a totalidade do ano. Este resultado deveu-se a uma desaceleração do consumo, mas principalmente do investimento.

 

 

Nota do editor: No “Reacção dos Economistas” pode ler, sem edição do Negócios, a análise aos principais indicadores económicos pelos gabinetes de estudos do Montepio, Millennium bcp, BPI, NECEP (Universidade Católica) e IMF, isto sem prejuízo de outras contribuições menos regulares. Esta é parte da “matéria-prima” com que o Negócios trabalha e que agora fica também ao seu dispor.

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Confia no jornal que lê?

25/09/2015
Colocado por: Nuno Aguiar

Acha que aquilo que lê todos os dias nos jornais reflecte correctamente o que se está a passar na economia? Tenho boas e más notícias para si. Primeiro as boas. O optimismo ou pessimismo dos textos jornalísticos sobre a evolução da economia segue a evolução dos indicadores macroeconómicos e isso não depende do partido que está no poder. As más notícias? O número de artigos que os jornais produzem sobre a economia parece flutuar conforme o seu alinhamento ideológico. Se são próximos do governo, haverá mais espaço para notícias positivas; se estão mais afastados, as notícias negativas têm mais destaque.

 

 

Redacção

A atenção que os jornais dedicam aos temas depende do seu alinhamento ideológico. Crédito: Krisztian Bocsi/Bloomberg

 

Estas conclusões fazem parte de um estudo de Mark Andreas Kayser e Michael Peress intitulado “Os Media, a Economia e o Voto”, publicado este mês. No paper, os autores procuram esclarecer três pontos: se o que se está a passar na economia se reflecte correctamente na cobertura jornalística; se a forma como os dados são reportados muda conforme o partido que está no poder; e se essa cobertura influencia o sentido de voto dos eleitores.

 

O tema não podia ser mais actual em Portugal, onde vivemos uma campanha eleitoral quente, muito centrada na evolução de indicadores económicos e financeiros. Ainda esta quarta-feira passámos o dia a debater se a frase do primeiro-ministro sobre o impacto do Novo Banco no défice ser “meramente estatístico” era verdadeira (spoiler alert: não é).

 

A base de dados do estudo é muito grande. Parte da análise em larga escala de mais de dois milhões de artigos jornalísticos em 32 jornais de 16 países, recuando, em alguns casos, até 1977. Portugal está representado pelo Jornal de Notícias (1997-2013) e pelo Correio da Manhã (2012-2013). Os indicadores económicos usados são o PIB, o desemprego e a inflação.

 

As conclusões são heterogéneas. Por um lado, os jornais parecem transmitir aos leitores um sentimento que acompanha a evolução dos indicadores macroeconómicos.Isto é, a utilização de expressões mais positivas ou negativas nos textos é consistente com um crescimento melhor ou pior, por exemplo. Isso não significa que as notícias sigam totalmente a variação desses indicadores, mas estes resultados mostram que a evolução dos dados económicos (principalmente os de mais longo-prazo) conduz a cobertura mediática.

 

Outra conclusão positiva é que a forma como os media noticiam temas económicos em nada parece ser influenciado pelo alinhamento do jornal à esquerda ou à direita. Isto é, o tom dos artigos é semelhante, independentemente do partido que está no Governo. “Os resultados são impressionantes: o partidarismo não tem qualquer efeito no sentimento dos media”, escrevem os autores do estudo. “O tom da cobertura num jornal não muda quando o partido que está no poder é substituído por outro com uma orientação ideológica diferente. As notícias que os jornais escrevem sobre economia apresentam a mesma proporção de histórias positivas, independentemente da ideologia do partido que governe.”

 

Por outro lado, se o tom das notícias não é influenciado pelo alinhamento ideológico do jornal, a atenção dos media aos temas parece flutuar conforme a cor do Governo. Os jornais escrevem mais notícias sobre a economia quando as coisas estão a correr bem e o governo com quem estão mais “alinhados” está no poder; e escrevem ainda mais notícias quando as coisas estão a correr mal e está no governo um partido de quem estão mais afastados ideologicamente. Ainda assim, isto não se verifica com todos os indicadores. O estudo conclui que não há parcialidade na cobertura do crescimento do PIB e da inflação, mas que ela existe no desemprego.

 

 

Então e o tipo de cobertura mediática influencia ou não o sentido de voto dos eleitores? De uma forma simplificada, as pessoas tendem a penalizar os partidos que estão no governo com base em notícias de crescimento baixo do PIB, enquanto o desemprego lhes chega de forma mais directa. Nas palavras dos autores, “o efeito do crescimento económico no voto é totalmente mediado pela cobertura [dos media], enquanto, em contraste, a inflação e o desemprego influenciam directamente o voto”.

 

Outras conclusões avulsas:

 

– Independentemente do partido, os jornais tendem a dar mais atenção ao PIB, desemprego e inflação quando estes indicadores estão a evoluir de forma débil. Além disso, a cobertura varia mais conforme o nível desse indicador do que com as últimas mudanças observadas. Uma conclusão diferente daquela que se tira na análise ao tom das notícias.

 

– Os eleitores são mais influenciados por períodos longos de crescimento baixo (ou recessão) e por níveis relativamente recentes de desemprego e inflação. Segundo os autores, isso pode ser explicado porque os eleitores são informados sobre o PIB pelos media e sentem o desemprego e a inflação directamente nas suas vidas.

 

Reacção dos economistas: PIB cresce com ajuda da procura interna

02/09/2015
Colocado por: Nuno Aguiar

O INE confirmou o crescimento do PIB de 1,5% no segundo trimestre de 2015, puxado pelo consumo das famílias e pelo investimento, embora, no caso do segundo, bastante influenciado pelo reforço dos stocks. O NECEP aponta que a formação bruta de capital fixo contraiu face ao trimestre anterior, enquanto a o BPI sublinha a resiliência das exportações, mesmo com quedas pronunciadas das vendas a Angola.

 

 

Nota do editor: No “Reacção dos Economistas” pode ler, sem edição do Negócios, a análise aos principais indicadores económicos pelos gabinetes de estudos do Montepio, Millennium bcp, BPI, NECEP (Universidade Católica) e IMF, isto sem prejuízo de outras contribuições menos regulares. Esta é parte da “matéria-prima” com que o Negócios trabalha e que agora fica também ao seu dispor.

 

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PIB repete o crescimento do primeiro trimestre

18/08/2015
Colocado por: Nuno Aguiar

 

A economia portuguesa voltou a crescer 1,5% no segundo trimestre de 2015, em comparação com o mesmo período do ano passado. Os economistas vêem boas notícias nesta variação homóloga (impulsionada pelo investimento), mas alertam para os sinais mais negativos, relacionados com o avanço das importações e com o peso dos stocks neste resultado.

 

 

Nota do editor: No “Reacção dos Economistas” pode ler, sem edição do Negócios, a análise aos principais indicadores económicos pelos gabinetes de estudos do Montepio, Millennium bcp, BPI, NECEP (Universidade Católica) e IMF, isto sem prejuízo de outras contribuições menos regulares. Esta é parte da “matéria-prima” com que o Negócios trabalha e que agora fica também ao seu dispor.

 

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