Duas derrotas seguidas e um jogo sem marcar golos. De repente, a “máquina” benfiquista deixou transparecer que, tal como qualquer outra, também tem problemas, dificuldades e períodos de menor rendimento. Quando já muitos consideravam que a questão do título estava tratada e que a eliminatória da “Champions” com os russos do Zenit não passava de uma mera formalidade… as dúvidas apareceram.

Se em São Petersburgo ninguém pode apontar o que quer que seja à formação da Luz – os erros existentes foram mais do que compreensíveis face às adversas condições em que se disputou o encontro -, em Guimarães o Benfica não jogou aquilo que sabe e pode. Mérito para o Vitória e para o seu treinador (paulatinamente vai mostrando ter argumentos para sonhar com uma cadeira mais apetecida), mas também culpa própria das águias que, provavelmente ainda na ressaca da dura deslocação ao Leste, começaram o jogo à espera que algo caísse do céu.

E se os encarnados acreditavam que uma qualquer dádiva dos deuses seria suficiente para somar os 3 pontos, foi num lance aparentemente inofensivo, um remate à meia volta e sem muita força, que os locais conseguiram o único golo do encontro. Aí estava a primeira derrota na Liga para o Benfica.

Como Jorge Jesus fez questão de realçar logo no “flash interview”, este deslize, na essência, não alterou muito, pese o FC Porto ter passado a depender também só dos seus resultados para renovar o título. Por agora, embora só com 2 pontos à maior, continuam a ser as águias quem lidera, tem vantagem e surge em posição mais favorável para terminar a longa maratona de 30 jornadas na frente.

O problema é que ninguém sabe como é que o conjunto benfiquista vai reagir a duas partidas com resultado negativo. Olhando para o calendário acredito que o Benfica será campeão se vencer os três próximos jogos da Liga (Académica e Paços de Ferreira, fora, com o clássico com o FC Porto, em casa, pelo meio). No entanto, basta ganhar apenas dois e perder com os dragões e tudo poderá ser diferente. Para tornar o momento mais delicado, quatro dias depois da recepção aos azuis e brancos e cinco antes da viagem à Mata Real, a equipa encarnada tem de bater, na Luz, o Zenit para seguir para os quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Continuo a considerar que este Benfica tem capacidade suficiente para responder de forma positiva à delicadeza do momento – ainda por cima sabendo que diante dos seus adeptos as águias têm tido um aproveitamento notável esta época -, mas também admito que mais dois deslizes podem transformar aquilo que há semanas parecia talhado para ser uma temporada de sucesso… num mar de desilusão. Mas, naturalmente, o futebol é isto mesmo. E ainda bem!

PS – Não entendi a razão de Jorge Jesus ter demorado uma eternidade a fazer as segunda e terceira substituições em Guimarães. Se a equipa estava a perder não faria sentido tentar, mais cedo, qualquer coisa?

PS 1 – Tenho dificuldade em vislumbrar o que se passa com Saviola. Compreendo que o argentino tenha perdido a titularidade face ao melhor rendimento de alguns companheiros de sector, mas custa entender que, de repente, o experiente avançado não sirva sequer para ser suplente utilizado quando é preciso marcar golos.

PS 2 – O plantel encarnado é vasto e possui soluções de elevada qualidade mas, para além da óbvia debilidade no posto de lateral esquerdo (Emerson não deveria ser mais que uma segunda escolha para o lugar), parece inequívoco que quando falta Javi Garcia… falta muita coisa.