E finalmente chegou a hora da NBA regressar. Confesso que já não tinha muita esperança que tal viesse a acontecer esta temporada, pois todos os agentes envolvidos – todos, sem excepção – acharam por bem perder tempo precioso para, no final, chegar a um entendimento que, pelo menos à distância, parecia relativamente fácil de atingir. Adiante. Isso, agora, já não interessa e a boa notícia é que, durante uma década, o fantasma do “lockout” não nos irá incomodar.

Desportivamente, esta época tem tudo para ser uma das melhores dos últimos anos. O escasso período de preparação (ninguém, em condições normais, deseja uma pré-temporada com tão poucos treinos e duelos particulares), aliado ao calendário sobrecarregado e com “apenas” 66 embates por formação, favorece o aparecimento de algumas surpresas, bem como a derrapagem de alguns dos conjuntos com aspirações a, pelo menos, atingir a segunda fase. No entanto, dificilmente os mais fortes, aquando da altura do “playoff”, deixarão de vincar o seu poderio e de, entre eles, decidir quem irá conquistar os anéis.

Apesar de reconhecer que a saída de Tyson Chandler para Nova Iorque é uma baixa tremenda ao nível do jogo interior (mais nos aspectos defensivos que ofensivos), penso que Dallas parte com ligeiro favoritismo. Ostenta o título, já aprendeu a vencer, mantém nas suas fileiras o núcleo principal (Nowitzki, Kidd e Terry), continua com um “staff” forte e tendo visto sair algumas segundas unidades com importância (Barea foi muitas vezes importante na caminhada triunfal da época passada) contratou de forma notável (Odom, Cárter e West). Porém, sublinho, só atribuo ligeiro favoritismo aos Mavericks. A concorrência será feroz…

A Oeste, tal como no passado recente, Lakers e San Antonio voltam a estar na linha da frente mas, desta vez, não aparentam ter a mesma força. Os californianos, aliás, correm sérios riscos de ser uma das desilusões da temporada. A saída de Odom foi um erro gigantesco, a que se juntam mais alguns abandonos entre as segundas linhas e um naipe de contratações, no mínimo, questionável. De resto, é preciso saber como Kobe reagirá aos problemas físicos e ao divórcio que lhe irá custar uma pechincha em torno de 70 milhões de dólares, se o espanhol Pau Gasol não ficará psicologicamente abatido por ter sido declarado negociável quando a equipa tentou “pescar” Chris Paul ou se Bynum irá evitar mais lesões nos joelhos. Por fim, convém recordar que Phil Jackson já não estará no banco. No seu lugar surgirá um Mike Brown trabalhador e conhecedor, é certo, mas sem pulso para segurar estrelas. Se falhou com LeBron, parece certo que com Kobe o resultado não será diferente…

No Texas, os Spurs estão cada vez mais velhos. Continuarão a ser uma formação que merece respeito e que, em jornada de inspiração, poderá ganhar a qualquer adversário. Porém, daí a conseguir chegar ao título, a distância é enorme. Parker, Ginobilli e Duncan teriam de coincidir em inúmeras exibições geniais e isso, à primeira vista, não parece ser muito provável.

Em sentido contrário aparecem Oklahoma e os renascidos Clippers. Com Durant e Westbrook a liderar um conjunto recheado de talento e com enorme capacidade atlética, os Thunder podem, por fim, aparecer já capazes não só de ameaçar, mas também de atacar o título. Já a segunda equipa de Los Angeles tem potencial suficiente para conseguir o que há meses era impensável: dobrar o vizinho do lado. Com Paul e Billups a servir um sensacional Griffin, com DeAndre Jordan a dar sinais de poder evoluir bastante e ainda Caron Butler, a equipa que era motivo de risos em muitos pavilhões pode ser a última a rir…

No Este, o equilíbrio pode ser ainda maior. Miami, com o seu trio dourado formado por Wade, James e Bosh, dá a ideia de ser a equipa mais forte. Porém, o ano passado também o era em teoria, e não chegou para vencer. Nem a fase regular, nem o playoff.

Chicago, com a entrada de Hamilton, apresenta um cinco mais forte que o anterior. No entanto, a saída do veterano Kurt Thomas vai obrigar a que Boozer e Noah não tenham tantos problemas físicos ou que, em alternativa, Taj e Asik aumentem o respectivo rendimento. Parece complicado, como difícil será ver Rose jogar melhor (ou mesmo tanto). Ainda assim, como o jovem MVP da época passada já disse vezes sem conta: o ano passado também ninguém acreditava nos Bulls para melhor equipa da fase regular e eles voaram até às 60 vitórias!

Boston, com o seu naipe de veteranos reforçado com a visão de Rondo, também sabe que estará na dianteira. Precisa, contudo, que o desgaste físico (mais evidente em épocas curtas e com mais jogos por semana) não pregue partidas a elementos como Garnett, Allen e Pierce.

Orlando também volta a acreditar que é desta que pode atingir o topo. No entanto, a cada vez maior vontade de Howard em mudar de ares parece retirar algum ânimo a um grupo forte mas a que, invariavelmente, parece faltar qualquer coisa.

Restam os Knicks entre os favoritos no Este. E cuidado com eles! A “Big Apple” vai ver a sua melhor equipa nos últimos 15 anos. Carmelo, Stoudemire e Chandler prometem arrasar debaixo das tabelas e já se sabe que correr e lançar também não é problema para eles.

Prognósticos

Não sou adivinho (até me daria jeito, admito…), mas vou arriscar, desde já, ainda antes da bola começar a saltar, as minhas previsões para temporada. Assim, lá mais para a frente, todos poderão constatar se acertei alguma coisa. A zero, sinceramente, espero não ficar. Aí vão elas:

Apurados para o “playoff” na Conferência Este: Boston Celtics, Chicago Bulls, Miami Heat, Orlando Magic, Atlanta Hawks, New York Knicks, Indiana Pacers e New Jersey Nets
Apurados para o “playoff” na Conferência Oeste: Dallas Mavericks, Los Angeles Lakers, Oklahoma City Thunder, San Antonio Spurs, Houston Rockets, Denver Nuggets, Los Angeles Clippers e Memphis Grizzlies.
Vencedor da Divisão Atlântico: Boston Celtics
Vencedor da Divisão Southeast: Miami Heat
Vencedor da Divisão Central: Chicago Bulls
Vencedor da Divisão Southwest: Dallas Mavericks
Vencedor da Divisão Northwest: Oklahoma City Thunder
Vencedor da Divisão Pacífico: Los Angeles Lakers

Final da Conferência Este: Miami Heat-Chicago Bulls
Final da Conferência Oeste: Oklahoma City Thunders-Dallas Mavericks
Final da Liga: Dallas Mavericks-Chicago Bulls
Campeão: Dallas Mavericks

Maior surpresa colectiva: Los Angeles Clippers
Maior desilusão colectiva: Washington Wizards
Maior surpresa individual: DeAndre Jordan (Los Angeles Clippers)
Maior desilusão individual: Ricky Rubio (Minnesota Timberwolves)

Melhor marcador: Kevin Durant (Oklahoma City Thunder)
MVP da fase regular: LeBron James (Miami Heat)
Melhor defensor: Dwight Howard (Orlando Magic)
Melhor “rookie”: Kyrie Irving (Cleveland Cavaliers)
Melhor treinador: Vinny del Negro (Los Angeles Clippers)
Jogador com maior evolução: DeAndre Jordan (Los Angeles Clippers)
Melhor suplente: James Harden (Oklahoma City Thunder)
MVP da final: Dirk Nowitzki (Dallas Mavericks)