Pequeno guia para sete quadros que a troika vai querer ver

22/06/2011
Colocado por: Rui Peres Jorge

São credores exigentes e nos próximos anos vão analisar ao detalhe o estado da economia portuguesa. Para isso mesmo FMI, BCE e Comissão já começaram a desenhar os canais de informação com o Estado português, recaindo sobre o Banco de Portugal e o ministério das Finanças a responsabilidade de reportar para Frankfurt, Bruxelas e Washington a melhor informação possível. 

 

E foi em parte a pensar na troika que o Banco de Portugal e a sua equipa de estatística apresentou uma reformulação do capítulo inicial do seu boletim estatístico mensal, no qual recupera e compila (de forma mais simples e graficamente apurada) alguma da informação estatística essencial para perceber os caminhos que a economia portuguesa está a trilhar.

 

Aqui fica um pequeno guia com sete quadros incluídos nesse capítulo “Principais Indicadores” que aqui pelo massa monetária se pensa que vão estar no radar da troika.

 

A4. Produtividade e custos laborais

 

Dados anuais para produtividade, competitividade e custos do trabalho e mensais para os aumentos salariais. Para um país que precisa de sair da crise pelas exportações e ao qual foi prescrita uma receita de deflação interna, este quadro será lido com atenção. Nada de abusos nos salários. É claro.

 

 

 

A6. Contas Financeiras

 

Não é possível continuar a viver com défices externos na casa dos 10% do PIB ao ano. Quem contribuiu mais para esse défice? As contas financeiras respondem numa regularidade trimestral. No final de 2010, o défice de 8,6% do PIB (superavit do Resto do Mundo), era explicado pelo Estado e empresas. Famílias e bancos tinham saldos positivos.

 

 

 

A9. Empréstimos e depósitos

 

Portugal tem um dos mais elevados rácios de empréstimos sobre depósitos do mundo. Não pode continuar assim, declarou a troika que considera que esse é mesmo um dos indicadores centrais para avaliar a desalavancagem da economia. O quado A.9. não nos dá esssa informação directa, mas indica as taxas de crescimento de empréstimos e depósitos relativos a empresas e famílias. Uma análise mês a mês.

 

 

A11. Preparem-se para os incumprimentos

 

22% das empresas e 14% dos particulares têm pagamentos em atraso no banco (o chamado crédito malparado). Os empréstimos às PME e o crédito ao consumo são os mais preocupantes, seja em montante, seja em número de entidades. Este é um dos indicadores centrais para medir o impacto da austeridade e o grau de resistência da economia ao choque recessivo. Um crescimento significativo deste indicador é dado como certo. Será que os bancos aguentam?

 

 

A14. Contas públicas para Bruxelas em cada trimestre

 

Como mostra o caso grego, a execução do Orçamento do Estado, a redução do défice orçamental, e o controlo da dívida são factores essenciais para avaliar, na óptica da troika, o sucesso do programa de ajustamento. Este quadro dá conta da evolução trimestral, em contabilidade nacional (ou seja, a que conta para Bruxelas) dos principais indicadores orçamentais. Os dados do primeiro trimestre do ano estão quase a sair.

 

 

A15. Quem está a gerar e a financiar os défices, mês a mês

 

O ministério das Finanças divulga todos os meses os saldos orçamentais numa óptica de caixa. Estes dados do Banco de Portugal acrescentam aos da DGO por mostrarem, mês a mês, como está a financiar-se (ou a financiar) cada um subsectores das Adminitrações Públicas (Estado, Regiões, Autarquias e Segurança Social). O quadro até descreve os instrumento financeiros e as contraparte que estão a ser usados. A troika vai querer saber isto.

 

 

A18. Afinal quanto devemos ao exterior 

 

Não são só as contas públicas que estão desequilibradas em Portugal. O endividamento privado e a divida externa até colocam o País numa situação de maior destaque (pela negativa) em termos internacionais. No final de Março, os passivos face ao exterior chegavam a 286% do PIB, um valor que compara com activos de 180%. Um desequilíbrio que se revelou demasiado elevado e que agora têm o mundo desconfiado sobre a solidez da economia nacional. A consultar trimestre a trimestre.

 

 

 

 

Com certeza que a troika quererá muito mais informação do que esta, e o boletim estatístico do Banco de Portugal também tem muita mais informação para dar. No entanto para começar estes sete quadros já dão uma ideia de para onde olhar. 

 

 

   

Rui Peres Jorge