O que Henrique Raposo diz sobre o Alentejo é verdade?

21/03/2016
Colocado por: Nuno Aguiar

 

É um eufemismo dizer que o livro de Henrique Raposo foi recebido com animosidade, principalmente na actual capital internacional da indignação: as redes sociais. É difícil dizer se o problema das pessoas é com aquilo que Raposo diz ou com a forma como o disse. Com o que escreveu dificilmente é, porque muitos admitiram não ter lido o livro.

 

Depois da ira e dos insultos, começam a surgir as primeiras recensões. O nosso objectivo não é fazer uma crítica literária a “Alentejo Prometido”, mas sim pegar em alguns factos muito concretos referidos no livro e tentar ver se os dados os corroboram. Escolhemos aqueles que causaram mais nervosismo e deixámos de fora afirmações pouco surpreendentes (como Alentejo ter uma baixa densidade populacional) e para as quais não conseguimos encontrar dados e que o autor não revela a fonte (números de criminosos no final do século XIX ou a emigração de distritos alentejanos nos anos 50). Ficámos com suicídios, violações, uniões de facto, filhos fora do casamento, catolicismo, divórcios e analfabetismo.

 

raposo

Fotografia de Bruno Simão.

 

Suicídios – Fenómeno verdadeiro, mas exagerado

 

“Se o Alentejo litoral fosse um país independente, seria a nação com a taxa de suicídio mais alta do mundo, superando até os países eslavos. Na Lituânia, líder mundial, a taxa é de 42 suicídios por 100 mil habitantes. No Alentejo de Odemira e Santiago, os números podem chegar com facilidade aos 45, 50 ou mesmo 60 suicídios por 100 mil habitantes.

 

É provavelmente o tema mais polémico do livro. E é também onde as estatísticas oficiais desmentem directamente uma afirmação de Raposo.

 

Henrique Raposo diz que, se o Alentejo Litoral fosse um país, teria a mais alta incidência de suicídio em todo o mundo. É verdade que é a região com o valor mais elevado de Portugal, com 34 suicídios por 100 mil habitantes. Mas existem pelo menos três países do mundo com valores mais elevados: a já referida Lituânia (42,1), Rússia (38,7) e Bielorússia (35,1).

 

E se olharmos para o Alentejo inteiro – e não apenas para o litoral -, verificamos que se suicidaram 21,8 pessoas por cada 100 mil em 2014. Neste caso, a lista de países listados pela Sociedade Portuguesa de Suicidologia mostra que há pelo menos nove países com valores mais elevados, entre os quais o Japão, a Eslovénia e a Estónia.

 

Importa ainda referir que a média nacional é muito inferior à do Alentejo (11,7), embora este não esteja assim tão longe do Algarve (21,8 vs. 17,2). Aliás, em 2014, entre os dez municípios portugueses com taxas de suicídio mais altas, só três são alentejanos. Penedono tinha o valor mais elevado do país, seguido por Aljezur.

 

Por esta altura, é preciso explicar que estes valores são altamente voláteis, principalmente quando estamos a lidar com regiões ou municípios pequenos. Por exemplo, entre 2011 e 2014, todo o Alentejo Litoral nunca teve mais de 39 suicídios num ano. Alcácer, Grândola e Sines nunca chegaram aos dois dígitos em nenhum desses anos. Ou seja, mais um ou menos um caso, pode fazer aumentar ou contrair significativamente estes valores.

 

Portanto, talvez seja mais justo olhar para médias. Se juntarmos esses quatro anos, sete dos dez municípios nacionais com mais suicídios estão no Alentejo. Ainda assim, na média desses quatro anos, o Alentejo Litoral continua a ter sensivelmente a mesma taxa de suicídio (34 por 100 mil habitantes). E não é a maior do mundo.

 

Violações – Alentejo está na média

 

“O abuso físico e até a violação faziam parte da normalidade […] É como se as mulheres fossem bonecas insufláveis com personalidade jurídica.”

 

É um tema mais difícil de avaliar, porque o INE não tem números e pode ser complicado garantir uma boa base de dados deste tipo de crimes. Temos por isso de recorrer à do Ministério da Justiça sobre crimes registados em Portugal. Neste caso, não parece haver grandes motivos para se achar que o Alentejo é muito diferente da generalidade do País.

 

O método utilizado foi olhar para o número de violações reportadas em percentagem do total do crime ou em percentagem do total dos crimes contra pessoas nos distritos de Beja, Évora, Portalegre e Setúbal entre 1994 e 2014.

 

Segundo as estatísticas oficiais, as violações representam 0,48% dos crimes contra pessoas nos últimos 20 anos em Portugal. Évora e Portalegre têm valores mais baixos (0,37% e 0,46%), enquanto Beja e Setúbal estão ligeiramente acima (0,5% e 0,51%).

 

Se a referência for a totalidade dos crimes (e não apenas os crimes contra pessoas), a média nacional é 0,11%. Em Évora é 0,1%, Setúbal 0,12% e tanto Portalegre como Beja ficam nos 0,13%.

 

Ou seja, em ambos os casos, parece difícil dizer que o Alentejo se destaca face à totalidade do país.

 

Podemos também usar uma referência diferente: olhar para as violações por cada 100 mil pessoas. O problema é que começamos a entrar por caminhos sinuosos. É necessário usar duas fontes diferentes – Ministério da Justiça para os crimes e INE para a população – o que nos traz problemas. Por exemplo, a população de Setúbal está integrada na Área Metropolitana de Lisboa e a Lezíria do Tejo faz parte do Alentejo. Para tentar uma aproximação, podemos excluir as violações do distrito de Setúbal e a população da Lezíria (não tentem isto em casa). Este exercício – que terá outras falhas! – mostra que houve menos de duas violações por cada 100 mil pessoas no Alentejo em cada um desses anos. Em Portugal houve perto de quatro.

 

Poderá argumentar-se que isto são registos oficiais. Se uma mulher for violada e não fizer denúncia, não conta. É verdade, mas é um problema impossível de contornar e uma lógica perigosa. Em última análise, permite desvalorizar grande parte da produção estatística e podemos acabar a extrair factos da nossa percepção.

 

Uniões de facto: Alentejo Litoral não bate recordes

 

“Esta informalidade transformou o Alentejo litoral na zona da Europa com maior percentagem de uniões de facto.”

 

Henrique Raposo argumenta que o Alentejo Litoral é a zona da Europa com maior percentagem de uniões de facto. Não conseguimos encontrar qualquer tipo de indício de que isso seja verdade.

 

Vamos por partes. Em primeiro lugar, sim, o Alentejo Litoral tem uma elevada percentagem de pessoas em união de facto. É a segunda região do país com o valor mais alto, com 17,8% apenas atrás dos 18% do Algarve. A média nacional é 11,3%. Mas… e é um “mas” relevante… o Alentejo Litoral está a quilómetros de ser a região da Europa com o valor mais alto. Mais precisamente quatro mil quilómetros, que é o que o separa da província de Jämtland na Suécia, a região europeia com o valor mais elevado (34%), quase o dobro do Alentejo Litoral. Mas não é a única. Existem 248 regiões (!) em cerca de 1400 com valores mais altos. A Suécia sozinha tem 26,8%, a região de Paris tem mais de 25%… Há dezenas de regiões francesas, estónias, finlandesas, norueguesas, holandesas acima do Alentejo Litoral.

 

Filhos fora do casamento são mais comuns

 

“Como disse, o vexame não era tão forte no Alentejo. A palavra bastardo nem sequer tinha uso; o concubinato e a ilegitimidade não eram tabus e a mãe solteira alentejana não era de imediato a putanheira.”

 

Neste caso, Raposo parece ter razão. O Alentejo Litoral tinha em 1960 a percentagem mais elevada de filhos fora do casamento: 48,5%. Muito, muito acima dos 9,5% da média nacional. Porém, o livro refere o Alentejo (e não o Alentejo Litoral). Se olharmos para a totalidade do Alentejo, ele lidera entre as grandes regiões (22,5%), não muito longe da média do Algarve (19,5%) e da Área Metropolitana de Lisboa (19%).

 

Em 2014, o Alentejo Litoral continua acima da média nacional (62% vs. 49%), mas está já abaixo de Algarve, Baixo Alentejo, São Jorge e Graciosa.

 

Claro que filhos fora do casamento não é equivalente aquilo que normalmente designamos como “filhos ilegítimos”. Para isso, não encontrámos dados que recuem tanto. Contudo, em 1995, 4% das crianças portuguesas nascidas fora do casamento não tinham os seus pais a viver juntos. O Alentejo Central tinha a percentagem mais elevada: 8%. A seguir, aparece o Alentejo Litoral (6,4%), Beira Baixa (6,4%) e Algarve (6,1%).

 

Alentejo menos Católico

 

“Claro que esta visão naturalista denota a ausência da linguagem católica. Não é novidade para ninguém que a fraca religiosidade é uma alavanca suicida. No norte, a cultura católica sempre viu no suicídio o pecado da soberba, o pecado de Judas que se matou porque pensava que era especial, porque era orgulhoso ao ponto de considerar que não tinha perdão. Pedro também traiu Cristo, mas foi o primeiro Papa. Longe da visão católica, o Alentejo aproximou-se de Judas e afastou-se de Pedro.”

 

Esta é difícil, porque o autor não faz uma afirmação especialmente assertiva. Ainda assim, o Alentejo é claramente uma região que está entre as menos católicas de Portugal.

 

Actualmente, o Algarve é a região do país com menos católicos, com 59,5% da população, seguida pelo Alentejo com 75,9%. Porém, não é fácil encontrar evoluções históricas deste indicador. Se tentarmos uma aproximação, podemos usar a percentagem de casamentos católicos, para os quais temos dados desde a década de 60. Não é o ideal, mas permite dar uma ideia.

 

As conclusões são interessantes. Em 1960, a Área Metropolitana de Lisboa tinha a mais baixa percentagem de casamentos católicos em Portugal, com uns ainda muito altos 65%. A seguir, aparece o Alentejo Litoral com 76%. Depois vem o Algarve (86%) e o Baixo Alentejo (87%). A média nacional eram uns altíssimos 91%. Se olharmos para os municípios, Alpiarça tinha o valor mais baixo do país (25%), seguido por Sines (34%), Grândola (43%), Barreiro (45%), Palmela (47%) e Almada (48%).

 

Hoje, como seria de esperar, o cenário é muito diferente. Em 2014, apenas 34% dos casamentos foram católicos. No que diz respeito as regiões, os valores mais baixos pertencem a Porto Santo (7%), Ilha das Flores (10%) e Santa Maria (15%). O Alentejo Litoral surge a seguir com 16%.

 

Divórcios pouco se destacam

 

“O progressismo alentejano terminava quando rapaz e rapariga se juntavam. A partir desse momento, ela era dele. Até aos anos 90, o Alentejo foi tão ou mais tradicionalista do que o norte no tema do divórcio/separação.”

 

Também aqui, os números não mostram que o Alentejo se destaque muito do resto país.

 

Em 1960, praticamente não havia divórcios em Portugal. A taxa de divórcios era 0,1 casos por cada mil pessoas. No Alentejo e no Alentejo Litoral era 0,0. Não é muito surpreendente que a região com valor mais alto seja a Área Metropolitana de Lisboa (0,3). Nesse ano, os municípios que mais se destacavam eram Montijo (0,8), Lisboa (0,6) e Setúbal (0,4).

 

Em 2013, o caso muda de figura. A média nacional já atinge os 2,2 divórcios por cada mil pessoas. A região com valor mais alto são os Açores, com destaque para a Ilha das Flores (3,4), São Jorge (2,9) e São Miguel (2,8). O Alentejo Litoral aparece na metade debaixo da tabela com 1,6. Todo o Alentejo tem 1,9.

 

Mais casos de analfabetismo

 

“Aliás, todos os analfabetos alentejanos tinham orgulho no seu analfabetismo e viam a escolarização como a antecâmara da terrível mecanização da agricultura (que era considerada a causa da decadência do Alentejo). Este orgulho analfabeto era fortíssimo no Alentejo litoral, que sempre foi a zona do país com a taxa de alfabetismo mais elevada: em 1981 estava nos 35,6% (Norte – 18,6%; Centro – 22,5%) e hoje continua no topo nacional com 14,1%.

 

Tirando o “orgulho no analfabetismo” dos alentejanos – que não conseguimos medir – este é outro caso em que Henrique Raposo parece ter alguma razão.

 

A região do país com maior taxa de alfabetismo em 1981 era o Alentejo Litoral (NUTS III), onde 35,6% das pessoas não sabia ler nem escrever. É verdade que não está muito longe dos 34,7% da Beira Baixa, mas as regiões que aparecem a seguir são o Baixo Alentejo e o Alto Alentejo. Entre as grandes regiões (NUTS II), o Alentejo tinha claramente o valor mais elevado do país, com 30,2%. O mais próximo era a Madeira com 26,6%. A média nacional era 18,6%.

 

Este cenário já era muito diferente em 2011. Os últimos censos mostram uma descida generalizada em Portugal, com a média a cair para 5,2%. O Alentejo Litoral continua a ter a “pior” do país. Raposo refere isso mesmo, embora se engane no valor actual. Diz que é 14,1%, mas é 11,6% (provavelmente enganou-se e viu o valor da população feminina, que é esse). O valor do Norte para 1981 também está errado. Era 17,3%, não 18,6% (esta era a média nacional em 1981).

 

Podemos também olhar para os níveis de escolaridade. Em 1960, 78,9% da população do Alentejo Litoral não tinha qualquer nível de escolaridade. Só era ultrapassado pela Ilha da Graciosa (82,8%) e o Corvo (79,2%). Em 2011, esse valor já tinha descido para 17,5% no Alentejo Litoral. A região com nível mais elevado é agora o Alto Tâmega (18,4%). A média nacional passou de 66,6% para 10,4% nesse período.

 

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar

Nuno Aguiar, nasceu em 1987 e licenciou-se em jornalismo pela Universidade Nova. Começou a fazer jornalismo em 2009 no jornal i e em 2011 foi contratado pelo Dinheiro Vivo onde trabalhou até integrar a equipa do Negócios em Setembro de 2012. Em 2015 publicou o livro "Os Números da Nossa Vida". Escreve regularmente sobre temas macroeconómicos.
Nuno Aguiar


5 comentários em “O que Henrique Raposo diz sobre o Alentejo é verdade?

  1. Miguel Salavisa diz:

    Esta análise não faz sentido porque Raposo refere-se ao Alentejo do passado e não ao do presente ou dos últimos anos.
    Desenterrar estatisticas recentes em nada contribui para a análise deste livro.

    1. Nuno Aguiar Nuno Aguiar diz:

      Caro Miguel,

      Obrigado pelo seu comentário e lamento só agora responder. Na realidade, no seu livro, Henrique Raposo fala bastante do Alentejo “do passado”, mas também do Alentejo “do presente”. Um dos casos em que se refere ao presente é precisamente na tão polémica questão do suicídio. Além disso, embora muitas das estatísticas que aqui cito sejam relativamente recentes (por limitações de acesso a dados), algumas recuam vários anos. É o caso dos casamentos católicos (recuam até à década de 60), divórcios (década de 60), analfabetismo (1981), violações (1994) e filhos com pais que não vivem juntos (1995).

      Mais uma vez, obrigado pelo seu comentário.

      Cumprimentos,
      Nuno Aguiar

  2. maria diz:

    Confesso que fiquei muito irritada com aquilo que li no livro do HR, até me parece que foi uma maldade feita com intenção.Penso que as percentagens que ele indica não foram de forma alguma estudos feitos exaustivamente como ele diz. Para qualquer Alentejano minimamente informado, deteta logo, que aquilo é uma verdadeira fraude. Em todo o lado há gente boa, gente má e assim, não é apanágio de uma qualquer região.Analisando a inância e juventude dele, para mim é um desenraizado, não se identifica com o sitio onde nasceu e cresceu nem com a terra dos antepassados.Para uma pessoa que nasceu e viveu toda a sua vida no Alentejo fica ofendida com tanta barbaridade! Além disso só faz referência aquela faixa do Litoral Alentejano, ora o Alentejo não é só aquilo! É muito mais. De aldeia para aldeia há muitas diferenças no falar, nas comidas, com o mesmo nome, mas com formas diferentes de confecção, etc. Há muito mais para dizer. Ele nem faz uma ideia do que este povo sofreu, eram pessoas que não tinham senão os braços para trabalhar e vender o seu trabalho. O Alentejo de hoje é uma sombra daquilo que foi, (graças a Deus para melhor) mas não foi só o Alentejo que evolui, é normal ,os tempos mundam, ( só é pena que não sejam só em coisas boas) infelizmente o progresso também trás coisas ruins.Como mulher ,o que mais me irritou foi a afirmação das violações, para ele, aquilo era uma coisa normal! Sem falsos moralismos, as mulheres daquele tempo, mesmo as que eram violadas sabiam sempre que eram os pais dos filhos! Hoje e na época do raposo têm que fazer testes para saber quem é o pai da criança. Ele que até é pai de duas, espero que não tenha essa experiência porque penso não dignifica nenhuma mulher.
    O Alentejo de que o raposo fala, é do seculo XIX e meados do seculo XX, fazia mais sentido escrever sobre o actual e caso lhe interessa-se, descrever a diferença entre um e outro, mas para isso tinha que estudar, assim foi mais fácil! Neste caso até se pode dizer que foi uma difamação!

  3. Marco capelo diz:

    Não percebo qual o mal imputado ao suicídio. É, de certa forma, o acto individual supremo. A vida pertence a cada um, não aos outros, excepto se num ponto de vista de sociedade colectivista em que os outros decidem pelo indivíduo.

  4. Mário Martins diz:

    O livro de Henrique Raposo está cheio de falhas ao nível quantitativo. Contém dados quantitativos errados com base nos quais tira conclusões erradas. Confunde Alentejo com Alentejo Litoral, daí retirando conclusões enviesadas ou desonestas??). Não interpreta sociologicamente os dados socioculturais da região O que para um sociólogo seria um exercício de compreensão isento de sentimentos, para Henrique Raposo transformou-se num exercício de mentira, raiva e manifestação de ressentimentos (de origem familiar??), de alguém que parece ter vergonha de quem é e de onde vem. Mas a nossa origem é aquela que é, cada um tem a sua e deve assumi-la sem hipocrisias e sem complexos de inferioridade, que Henrique Raposo parece ter em abundância. Sou originário do Nordeste Alentejano, que fica geograficamente à mesma distância de Trás-os-Montes e do Sudoeste Alentejano. Estou portanto à vontade relativamente às baboseiras de Henrique Raposo, para não me sentir atingido por aquilo que ele vomitou. Não deixo contudo de me sentir irmanado com o povo do Alentejo Litoral pelos elementos culturais que temos em comum, como me sinto irmanado com todos os portugueses com os quais tenho muito em comum. Mas Henrique Raposo não merece sequer ser considerado português. É um apátrida sem dignidade que anda por aí.

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