Bola na Área

Proença está a comer o que não pôs no prato

7 Dezembro, 2015 2

"Não foi para isto que me chamaram!"

“Não foi para isto que me chamaram!”

Pedro Proença tem levado muita porrada nos últimos dias a propósito do contrato milionário do Benfica com a NOS e dos protestos de quem não foi contemplado.

No essencial, os doutos comentadores da nação, habituados a parir sentenças, argumentam que o presidente da Liga é um verbo de encher, o que, de certo modo, é o modo de vida dos primeiros.

Eu sei que posso parecer chato mas a realidade é bem diferente.

Antes do mais, importa dizer que os estatutos da Liga foram alterados em junho com o objetivo de não permitir decisões unilaterais do seu presidente. Hoje, o poder da Liga está centrado na sua direção e desta faz parte, por exemplo, o Benfica, para além de FC Porto, Sporting, Rio Ave, V.Guimarães, Oliveirense, Freamunde, Portimonense e um representante da FPF (Hermínio Loureiro).  Foi esta direção que, por unanimidade, definiu um Business Plan para os próximos 4 anos e uma das medidas aprovadas foi a centralização dos direitos televisivos.

Ora, Pedro Proença conheceu o negócio NOS/Benfica através da comunicação social! Depois de 5 reuniões com o representante do Benfica no colégio da Liga!

Logo, se alguém tem de ser responsabilizado por esta ultrapassagem pela direita não é apenas Pedro Proença mas toda a direção da Liga, entre os quais o…Benfica.

Depois, a Liga teve nos últimos dez anos cinco presidentes e todos tentaram a centralização dos direitos e nenhum conseguiu. E, que se saiba, Pedro Proença apenas cumpriu 4 meses de 4 anos de mandato.

Mas, sabe BnA, que gosta sempre de estar bem informado, o novo presidente da Liga não está propriamente a tentar passar por entre os pingos da chuva. A Liga já estuda uma espécie de mecanismo de solidariedade, tentando diminuir o fosso de receitas entre os maiores e o mais pequenos, sob a lógica de que sem pequenos não há grandes. Medida a apresentar numa próxima assembleia geral da Liga.

O desafio que Proença vai lançar aos grandes é precisamente o de adjudicarem verbas dos chorudos contratos que estão prestes a assinar para distribuir pelos outros. Falta apenas saber se os ricos estão dispostos a dar aos pobres uma esmola ou realmente algo que se veja. É aí que vamos ver se Proença tem capacidade para se assumir como a voz dos chamados pequenos e médios clubes, isto se António Fiúsa não se importar de lhe ceder os direitos de autor.

 

gazeta sete dezembro
Entretanto, cumprem-se hoje 20 anos desde que saiu para a rua o último número da “Gazeta dos Desportos”. Para todos aqueles que por lá passaram, como é o meu caso, e também para os seus muitos leitores ao longo de quase 15 anos, aqui fica a nota de saudade.

Bolo TV do Benfica gera concorrência desleal

3 Dezembro, 2015 11

direitos TV

O Benfica apostou alto e ganhou. A BTV esboroou a Sport TV e a NOS, dona (com Joaquim Oliveira) deste canal, contra-atacou, oferecendo aos encarnados cerca de 40 milhões por ano. Ora, 40 milhões de euros corresponde a quase metade do valor (100 milhões de euros) que a Sport TV paga atualmente pelos direitos que pertencem à Olivedesportos para transmitir os jogos do campeonato luso, excetuando os que o Benfica disputa em casa.

O Benfica passa a ganhar 20 vezes mais de direitos televisivos que qualquer clube da 1.ª Liga que não pertence à zona euro, cuja retribuição anual anda à volta dos 2,1 milhões de euros.

Não chega o Benfica ter as receitas extraordinárias que tem e cá temos o fosso a cavar-se ainda mais em relação aos outros players do futebol português. Se é assim que querem um campeonato equilibrado, vou ali e já volto.

Obviamente, o Benfica faz os negócios que pode fazer e os que lhe estão mais próximos, casos de FC Porto e Sporting, vão de arrasto. Não tarda nada e também estes clubes estarão a encaixar uma boa maquia.

Já deu para perceber que a PT também está no jogo, negociando direitos com Boavista. Sp.Braga, V.Guimarães e Belenenses. É bom para esses clubes.

Mas a pergunta mantém-se: e os outros?

Não sei se se lembram mas a Liga de Clubes teve um presidente que abalou os senhores do nosso futebol quando quis centralizar na Liga os direitos televisivos dos clubes, com a intenção de aumentar a receita de todos os clubes mas especialmente dos mais pequenos. Sabe-se o que lhe aconteceu.

Os clubes espanhóis acabam de negociar 3 anos de direitos em pacote por 2,6 mil milhões de euros. As contas são fáceis de fazer em relação ao que os clubes do outro lado da fronteira vão receber e as migalhas que por cá são distribuídas. Ok, há um problema de escala de mercado mas, caramba, ainda não somos a Galiza…

Neste entretanto, o novo presidente da Liga não diz nem uma palavra sobre o assunto que podia colocar a Liga a mandar efetivamente no futebol português. Vá-se lá saber porquê.