Vítor Pereira, líder agora do Conselho de Arbitragem da FPF, disse recentemente, perante os árbitros portugueses, que está disposto a acabar com os “parasitas” que ainda habitam o mundo da arbitragem.

Acho muito bem.

Mas gostava de ter visto VP a identificar esses parasitas. Ou a denunciá-los às entidades competentes, até porque as conhece bem das peritagens que fez no âmbito do processo Apito Dourado.

Vítor Pereira tem tido, a este nível, um papel importante, tal como não há muito tempo referiu Ricardo Costa, antigo líder da Comissão Disciplinar da Liga, num artigo dado à estampa no “Record”.

A arbitragem portuguesa evoluiu muito e nada tem a ver com o que acontecia há 30 anos. O processo de selecção tem uma malha mais fina e, sobretudo, os árbitros perceberam que ao mais alto nível não vale a pena alinhar em compadrios ou em lances manhosos. Os casos Jacinto Paixão, Augusto Duarte e Martins dos Santos foram suficientemente inibidores.

No entanto, a tentação dos dirigentes em “controlar” os apitadores não desapareceu. Este é o perigo. Por isso, VP deve estar sobretudo preocupado em identificar estas tentativas de intrusão e não tanto os chamados parasitas que ainda restam.

Essa é uma missão que, acredito, será capaz de desempenhar, sobretudo se for capaz de agir democraticamente num CA constituído por forças mistas e por sensibilidades distintas.

O problema não está no interior do CA mas sim em tudo o que o rodeia.

O problema não são os parasitas mas os agentes provocadores.

Ou seja, o problema não é a doença ou a praga mas sim aqueles que têm a vacina mas que continuam a usar o vírus.