O futebol português vive, de facto, sob a lei do faroeste. Ou seja, sem lei mas com os representantes da lei a lavarem as suas mãos.

Como aconteceu hoje quando a PSP aceitou a decisão do Benfica de impedir os adeptos do FC Porto de entrarem domingo na Luz com os habituais “kits” de apoio ao clube.

Uma decisão tomada, curiosamente, por um clube que não aproveitou a lei para legalizar as suas claques, ao contrário do FC Porto.

Com isto não estou a dizer que não é preciso controlar estes grupos que consomem os nossos impostos com escoltas caríssimas e que se portam mal sobretudo em estações de serviço. Estou apenas a mostrar o meu espanto perante o beneplácito das autoridades a uma atitude completamente autoritária de quem com tudo isto apenas atira achas para a fogueira.

Obviamente, se alguém se queimar, se algum inocente ou algum jornalista for atingido, vão aparecer certamente os arautos do costume a sacudir a água do capote.

É incrível também o ensurdecedor silêncio da Liga perante esta atitude prepotente de um clube que terá as suas razões de queixa em relação a um passado não tão distante quanto isso mas que continua a caminhar impunemente mesmo quando exorta os seus adeptos a não irem aos estádios onde o Benfica se assume na condição de visitante.

Se é assim que querem que o nosso futebol evolua, esqueçam.

Como diz um amigo meu brasileiro, não há nada tão ruim que não possa piorar.